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PL Fecha Acordo com Sergio Moro e Rompe com Ratinho Jr. na Disputa pelo Governo do Paraná

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    Kentidjern Herman
  • há 8 horas
  • 3 min de leitura

POLÍTICA BRASIL • 18 de março de 2026

PL Fecha Acordo com Sergio Moro e Rompe com Ratinho Jr. na Disputa pelo Governo do Paraná

Foto: Lula Marques / Agência Brasil

O Partido Liberal (PL) oficializou nesta quarta-feira (18) seu apoio à pré-candidatura do senador Sergio Moro (União-PR) ao governo do Paraná, em reunião realizada na sede da sigla em Brasília. A decisão encerra semanas de negociações e representa um rompimento formal do PL com o grupo político do atual governador Ratinho Júnior (PSD), que vinha sendo o principal aliado do partido no estado. Com o movimento, o PL passa a apostar em Moro como o nome mais competitivo para garantir vitória expressiva no Paraná — palanque estratégico para a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República em 2026.

"Nós vamos apoiar o Moro. Isso está certo. Agora, ele precisa definir a situação dele no União Brasil e no PP. Moro está explodindo nas pesquisas. Talvez, com o número 22 do PL, ele aumente e ganhe no primeiro turno." — Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL

O Impasse na Federação União Brasil-PP e o Caminho para o PL

A candidatura de Moro ao Palácio Iguaçu vinha enfrentando um obstáculo interno de difícil resolução. O senador é apoiado pelo União Brasil, mas o PP estadual, seu parceiro na federação, se recusa a endossar sua candidatura. Partidos federados não podem ter candidaturas divergentes, o que travava a oficialização de Moro no estado. Diante do impasse, aliados do senador passaram a articular nos bastidores uma eventual migração para o PL, sigla que oferece número de votação (22) e estrutura nacional capilarizada.

Na tarde desta quarta-feira (18), Moro reuniu-se com as cúpulas do União Brasil e do PP para discutir sua situação na federação. Segundo Valdemar Costa Neto, o senador deveria definir ainda no mesmo dia se permaneceria nas fileiras do União ou migraria para o PL. Independentemente da decisão sobre a sigla, o PL já deixou claro que apoiará Moro na corrida ao governo paranaense — o que, na prática, esvazia qualquer candidatura alternativa do campo de Ratinho Júnior que tentasse contar com o peso eleitoral bolsonarista.

Ratinho Jr., Palanque de Flávio e o Xadrez do Paraná em 2026

O Paraná é o segundo colégio eleitoral do Sul do Brasil e figura como peça central na montagem do palanque presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RN), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e candidato declarado ao Planalto. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, foi o principal articulador da aproximação entre o PL e Moro, enxergando no nome do ex-juiz da Lava Jato um ativo eleitoral capaz de garantir ao partido uma vitória folgada no estado — provavelmente já no primeiro turno.

Ratinho Júnior, por sua vez, mantém planos de disputar a Presidência da República pelo PSD. Ao não abrir mão da corrida ao Planalto, o governador paranaense inviabilizou um entendimento que permitiria ao PL apoiá-lo na sucessão estadual. Ratinho tentou emplacar nomes de seu secretariado — o secretário de Cidades, Guto Silva, o de Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca, e o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi — mas o PL recusou a operação, considerando que nenhum dos nomes tem apelo eleitoral comparable ao de Moro. Nos bastidores, tanto Curi quanto Greca já sinalizavam deixar o PSD caso não fossem escolhidos, e o nome de Curi chegou a ser aventado como possível vice na chapa de Moro.

A decisão do PL não apenas consolida Moro como favorito no Paraná — onde lidera todas as pesquisas de intenção de voto — mas também envia um recado claro ao Centrão e ao PSD: o partido bolsonarista está disposto a romper alianças históricas quando os interesses eleitorais de curto prazo assim exigirem. Para Valdemar Costa Neto, a equação é simples: sem Moro, o PL arrisca fazer zero votos no estado. Com ele, o partido aumenta expressivamente sua bancada estadual e fortalece a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.

O movimento do PL em torno de Sergio Moro revela muito sobre a dinâmica das eleições de 2026: num cenário de fragmentação partidária intensa, a lógica da viabilidade eleitoral prevalece sobre lealdades históricas. Moro, que já foi candidato à Presidência, que trocou o Podemos pelo União Brasil e que agora pode migrar para o PL, é o símbolo mais visível dessa fluidez. Mais do que a trajetória de um senador, o que está em jogo no Paraná é o poder de um partido com forte base eleitoral de se posicionar estrategicamente para 2026. A decisão de Valdemar Costa Neto é um calculo frio: num estado com mais de 8 milhões de eleitores, a figura de Moro vale mais do que qualquer aliança com o governante do momento. O próximo capítulo dessa história será escrito nas urnas — e possivelmente antes disso, nos tribunais eleitorais, diante de possíveis questionamentos da Lei da Ficha Limpa.

Fonte: Metrópoles

 
 
 

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