Braide Anuncia Elaine Carneiro como Pré-Vice e Isola a Esquerda na Disputa pelo Governo do Maranhão
- Kentidjern Herman
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POLÍTICA MARANHÃO • 9 de abril de 2026
Braide Anuncia Elaine Carneiro como Pré-Vice e Isola a Esquerda na Disputa pelo Governo do Maranhão

Foto: Blog do Gláucio Ericeira
O ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), deu um passo estratégico significativo na construção de sua candidatura ao Governo do Maranhão. Em evento realizado em Imperatriz na última terça-feira (7), ele anunciou a empresária Elaine Carneiro, presidente do Grupo Brasil Pneus, como sua pré-candidata a vice-governadora para as eleições de outubro de 2026. A escolha, antecipada em quase seis meses do prazo habitual, revela uma movimentação deliberada para consolidar sua presença no interior e redefinir os alinhamentos políticos do estado.
Elaine Carneiro é natural de Goiás e atua há anos na região Tocantina. Filiada ao PSD no final de março, ela nunca disputou uma eleição ou exerceu mandato eletivo, mas possui forte inserção no setor empresarial e em entidades de classe da segunda maior cidade do Maranhão. Sua trajetória é identificada com o campo conservador, o que qualificou a escolha como um sinal claro de posicionamento ideológico por parte de Braide.
Ao optar por uma mulher da região Tocantina e identificada com o campo conservador, Braide enviou um recado inequívoco aos dinistas: não haverá composição com a esquerda. O vice-governador Felipe Camarão e aliados buscavam aliança com Braide e almejavam a indicação do vice e uma vaga ao Senado — e receberam um não definitivo.
Uma mensagem para dois adversários ao mesmo tempo
O anúncio teve destinatários precisos. De um lado, os chamados dinistas — políticos ligados ao ex-governador e atual ministro do STF Flávio Dino — que vinham cortejando Braide em busca de uma aliança e pleiteavam a indicação do vice e uma vaga ao Senado para o vice-governador Felipe Camarão (PT). Braide rejeitou o acordo e, ao escolher uma empresária identificada com o bolsonarismo, enviou um recado inequívoco: não haverá composição com a esquerda. A direção nacional do PT já descartou qualquer possibilidade de apoio à candidatura do ex-prefeito de São Luís.
Do outro lado, a escolha mira diretamente Lahesio Bonfim (Novo), pré-candidato ao governo com forte penetração nas regiões Tocantina e Sul do Maranhão. Ao lançar Elaine em Imperatriz, Braide busca disputar o eleitorado de direita nessa região, enfraquecendo a base eleitoral de seu concorrente. Em resposta, Bonfim afirmou publicamente que o jogo só termina quando o apito final soar — e sinalizou que não pretende recuar.
PT recalibra rota após negativa e Orleans consolida campo governista
Com a negativa de Braide, o PT recalculou a rota. A direção nacional determinou que Camarão, que aparece em último lugar em todas as pesquisas de intenção de voto, retome a pré-candidatura ao Palácio dos Leões. A senadora Eliziane Gama, recém-filiada ao partido, emerge como possível peça nesse tabuleiro reformulado — seja como vice de Orleans Brandão ou como candidata ao Senado em uma chapa encabeçada por Camarão. No campo governista, Orleans (MDB) consolida articulações para o Senado, sinalizando consenso em torno do senador Weverton Rocha (PDT) na disputa pela reeleição e destinando a segunda vaga à Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas.
Pesquisas e o peso do interior
A estratégia de Braide tem base em dados eleitorais. Levantamento da Paraná Pesquisas, realizado em março com 1.300 eleitores e margem de erro de 2,8 pontos percentuais, mostrou o ex-prefeito liderando com 34,6% das intenções de voto no primeiro turno, seguido por Orleans Brandão com 30,3% e Lahesio Bonfim com 16,1%. Camarão aparece em quarto, com 6,9%. A capital, onde Braide foi reeleito em primeiro turno com mais de 70% dos votos em 2024, é sua base mais sólida. O desafio é o interior. Historicamente, candidaturas originárias exclusivamente de São Luís enfrentam resistência nas demais regiões. Ao ancorá-la em Imperatriz, Braide tenta quebrar esse padrão.
A escolha de Elaine Carneiro é uma jogada de múltiplos tabuleiros: enfraquece Bonfim no interior, fecha a porta para a esquerda e posiciona Braide como a alternativa de centro-direita capaz de agregar o eleitorado conservador e os setores empresariais do interior. O risco é a fragmentação da oposição, com três candidaturas — Braide, Bonfim e Orleans — disputando faixas ideológicas próximas sem unificação. Se isso ocorrer, o campo governista pode se beneficiar da divisão dos votos e surpreender nas urnas de outubro.
Fonte: Blog do Gláucio Ericeira





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