CPI do Vice-Governador Camarão Inicia Trabalhos Pós-Páscoa com 24 Assinaturas e Foco em R$ 16 Milhões do COAF
- Kentidjern Herman
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ALEMA • 8 de abril de 2026
CPI do Vice-Governador Camarão Inicia Trabalhos Pós-Páscoa com 24 Assinaturas e Foco em R$ 16 Milhões do COAF

Foto: Agência Assembleia / ALEMA
A Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada na Assembleia Legislativa do Maranhão para investigar denúncias de corrupção contra o vice-governador Felipe Camarão (PT) está prestes a iniciar seus trabalhos. Com a Semana Santa encerrada, os líderes dos blocos partidários foram chamados a indicar os sete membros titulares e suplentes que irão compor o colegiado, abrindo caminho para a instalação oficial da comissão e eleição de presidente, vice-presidente e relator.
No centro da apuração estão repasses suspeitos de R$ 6,3 milhões a R$ 10 milhões para contas vinculadas ao vice-governador, por meio de uma suposta rede de laranjas, identificados em relatórios de inteligência financeira do COAF. A movimentação atípica total investigada chega a R$ 16 milhões.
A Denúncia, os 24 Signatários e o Processo no MP
O Requerimento nº 086/2026, de autoria do deputado Dr. Yglésio (PRTB), foi lido no plenário da ALEMA em 25 de março e recebeu 24 assinaturas — número superior ao mínimo de 14 necessário para instalar uma CPI na Casa. O requerimento aponta indícios de movimentações financeiras atípicas envolvendo o vice-governador, com supostos repasses a terceiros e a pessoas vinculadas a ele, com possível utilização de servidores públicos e da estrutura administrativa da vice-governadoria e da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), órgão anteriormente dirigido por Camarão. A base da CPI é o Procedimento Investigatório Criminal nº 025065-750/2025, instaurado pelo MPMA e em tramitação no Tribunal de Justiça do Maranhão. O procurador-geral de Justiça, Danilo José de Castro Ferreira, chegou a pedir o afastamento cautelar de Camarão do cargo ao TJ-MA, pedido que está em análise.
A composição da CPI seguirá a proporcionalidade dos blocos partidários: o Bloco Parlamentar Unidos Pelo Maranhão, maior da Casa com 27 integrantes, indicará cinco nomes titulares e seus respectivos suplentes; o Bloco de Oposição e o Partido Liberal indicarão um representante cada. Os sete membros se reunirão para instalar oficialmente a comissão e eleger seus dirigentes. A CPI terá prazo de 120 dias para concluir seus trabalhos, prorrogável por até mais 60 dias por deliberação do plenário — podendo atuar, inclusive, durante o recesso parlamentar.
Camarão reagiu com du-reza à movimentação. Nas redes sociais, chamou a CPI de ‘despero coronelista’ e atribuiu as investigações ao governador Carlos Brandão, com quem rompeu politicamente. O vice-governador afirmou ter conduta ilibada e prometeu resistência. O Ministério Públíco alertou sobre um suposto vazamento de informações sigilosas do processo, ocorrido em 20 de março, e investiga a origem da divulgação. Entre os 24 deputados signatários do requerimento estão nomes das principais bancadas da ALEMA, como Adelmo Soares, Arnaldo Melo, Helena Duailibe, Neto Evangelista, Glalbert Cutrim e Ricardo Arruda, entre outros.
A instalação da CPI representa um marco político no Maranhão às vésperas das eleições de outubro. Com Felipe Camarão como pré-candidato ao governo — ou eventualmente ao Senado —, as inves tigações da comissão podem afetar diretamente sua viabilidade eleitoral. Para os partidos que subscreveram o requerimento, a CPI cumpre tanto uma função republicana de fiscalização quanto um papel estratégico no tabuleiro eleitor. Para Camarão, o desafio será demonstrar inocência e manter apoio político enquanto a comissão opera seus trabalhos durante seis meses que são, também, os mais decisivos da corrida ao Palácio dos Leões.
Fonte: Agência Assembleia / ALEMA / Jornal Pequeno / Diário do Poder





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