Lula Defende Proibição das Bets no Brasil e Diz que "Jogatina Desenfreada" Prejudica Famílias
- Kentidjern Herman
- há 3 horas
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POLÍTICA BRASIL • 9 de abril de 2026
Lula Defende Proibição das Bets no Brasil e Diz que "Jogatina Desenfreada" Prejudica Famílias

Foto: Ricardo Stuckert / PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender, nesta quarta-feira (8), o fim das apostas eletrônicas de quota fixa no Brasil, as chamadas bets. Em entrevista ao canal ICL Notícias, realizada no Palácio do Planalto, o chefe do Executivo demonstrou preocupação com o avanço do endividamento das famílias brasileiras e com os danos de saúde pública provocados pelo vício em jogos online.
O posicionamento do presidente é claro quanto ao mérito da questão: Lula quer fechar as bets. No entanto, reconhece que concretizar essa medida exige articulação com o Congresso Nacional — e que o caminho político é complexo, já que o setor de apostas financia parlamentares e partidos. A declaração expõe uma tensão crescente entre a agenda social do governo e os interesses econômicos consolidados no Legislativo.
"Não é possível a gente continuar com essa jogatina desenfreada nesse país. Isso leva a sociedade a cometer desvios", disse Lula, afirmando que, se dependesse dele, as bets seriam fechadas.
Um vício que entra pela tela do celular
Para Lula, o problema das bets é estrutural. O presidente comparou a situação atual com os cassinos físicos e o jogo do bicho, proibidos historicamente no Brasil, e argumentou que a tecnologia derrubou as barreiras que, antes, protegiam as famílias. Hoje, disse ele, o cassino está dentro de casa, acessível no celular de uma criança de dez anos. O presidente foi categórico ao descrever os danos individuais e sociais provocados pelo vício. Segundo ele, o endividamento não nasce apenas dos baixos salários, mas é amplificado pela promessa ilusória de lucro fácil que as plataformas de aposta oferecem. O governo estuda propostas para ajudar famílias a quitar dívidas, incluindo o possível uso do FGTS nesse processo.
Os números por trás da preocupação
Os dados reforçam a dimensão do problema. Segundo o Banco Central, no primeiro trimestre de 2025, os apostadores destinaram até R$ 30 bilhões por mês às plataformas de bets — um volume que rivaliza com setores inteiros da economia. Ao mesmo tempo, o governo colhe receitas crescentes do setor: a tributação sobre apostas gerou R$ 2,5 bilhões só nos dois primeiros meses de 2026, crescimento de 236% na comparação com o mesmo período de 2025. Esse paradoxo — defender o fim das bets enquanto a arrecadação do setor bate recordes — ilustra o dilema político enfrentado pelo Planalto. A regulamentação do setor foi realizada pelo próprio governo Lula, que em 2023 sancionou a Lei 14.790, autorizando os jogos online de apostas de quota fixa.
Futebol e bets: Lula rebate a dependência financeira
Um dos argumentos mais frequentes contra a proibição das bets é a dependência que os clubes de futebol brasileiros desenvolveram em relação aos patrocínios dessas empresas. O presidente rebateu esse ponto ao lembrar que o futebol brasileiro existiu por mais de um século sem nenhum real proveniente das apostas. Para ele, o esporte pode e deve encontrar outros caminhos de financiamento. A declaração tem peso político: o futebol é uma das maiores vitrines culturais do país, e qualquer medida que afete seu financiamento tende a gerar reação imediata na opinião pública.
A defesa de Lula pela proibição das bets revela uma aposta política de alto risco em ano eleitoral. O tema tem forte apelo popular — especialmente entre eleitores de menor renda, os mais afetados pelo endividamento — mas esbarra em resistência considerável no Congresso. O presidente sinaliza disposição para o confronto, mas depende de uma base parlamentar que, em boa parte, está financeiramente ligada às próprias empresas que ele quer banir. Sem uma maioria clara no Legislativo, a retórica pode não se converter em lei, transformando o discurso em promessa não cumprida às vésperas das eleições.
Fonte: Agência Brasil





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