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Flávio Bolsonaro deixa o país e segue para Miami, descumprindo ordem de Moraes que o proibia de viajar

Foto do escritor: Kentidjern Herman
Kentidjern Herman
há 1 dia
4 min de leitura

POLÍTICA BRASIL • 28 de outubro de 2026

Flávio Bolsonaro deixa o país e segue para Miami, descumprindo ordem de Moraes que o proibia de viajar

Foto: Valter Campanato / Agência Brasil


O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil por via terrestre e segue para os Estados Unidos, dois dias depois de ser derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da eleição presidencial. Com a viagem, o parlamentar descumpriu a ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o proibira de sair do país e determinara a entrega de seus passaportes à Polícia Federal.


“Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é justiça?” — Flávio Bolsonaro, ao questionar a decisão de Moraes

A cronologia da saída do país

Segundo a Agência Brasil, Flávio, a esposa e as filhas cruzaram a fronteira com a Argentina às 22h50 de terça-feira (27), pela Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones. Às 23h30, a família embarcou em um avião privado rumo a Guayaquil, no Equador, informações confirmadas pela Direção Nacional de Migrações argentina. Nesta quarta-feira (28), a aeronave seguia para o aeroporto de Miami, com pouso previsto para cerca de 10h20, no horário de Brasília, de acordo com o site de monitoramento de voos Flight Aware.


Na terça, um aliado próximo do senador e uma fonte do governo norte-americano confirmaram à agência Reuters que ele havia deixado o país rumo aos Estados Unidos. Na véspera, em vídeo publicado nas redes sociais após ser intimado, Flávio havia dito que cumpriria a decisão judicial, negado a intenção de sair do Brasil e afirmado que ficaria para organizar a oposição ao governo Lula.


A decisão de Moraes e o inquérito

A ordem de Moraes foi tomada em um inquérito no qual Flávio é investigado por lavagem de dinheiro e evasão de divisas, junto com o advogado e amigo Willer Tomaz. Ambos negam qualquer irregularidade. A decisão está em segredo de justiça e foi divulgada pelo próprio senador. Na segunda-feira (26), ele foi abordado por agentes da Polícia Federal ao sair da casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena em regime domiciliar por tentativa de golpe de Estado, e intimado a entregar seus passaportes.


De acordo com a Agência Brasil, a medida foi adotada depois de a PF informar que havia chance concreta de fuga logo após a apuração do resultado da eleição, e após declaração do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, de que Flávio deveria deixar o país caso perdesse. Flávio afirma que a decisão se baseia nessa fala e foi tomada na noite de domingo, logo depois do resultado.


Na semana anterior, Moraes já havia determinado o bloqueio de até R$ 6 bilhões de Willer Tomaz, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro ligada a negócios com bets. O advogado também deixou o país rumo aos Estados Unidos, antes da eleição. Pela apuração preliminar da PF, Flávio seria beneficiário de recursos da Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, que também é investigada.


STF nega buscas e inquéritos seguem

Nesta quarta, após a imprensa noticiar que a PF estaria em operação na mansão do senador, no Lago Sul, em Brasília, o STF divulgou nota negando a existência de qualquer mandado de busca e apreensão contra Flávio ou seus endereços. Segundo o tribunal, não há decisão judicial nesse sentido nem diligência policial em curso.


Mesmo com a saída do país, os inquéritos continuam em tramitação. Além do relatado por Moraes, Flávio é alvo de investigação no caso Banco Master, sob relatoria do ministro André Mendonça, por ter pedido ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro cerca de R$ 134 milhões, supostamente para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. O pedido foi identificado pela PF em mensagens extraídas do celular apreendido de Vorcaro, e o áudio foi revelado pelo site The Intercept Brasil. O senador reconhece a autoria do áudio e das mensagens, mas nega irregularidades e diz que se tratou de captação de recursos privados.


O pano de fundo eleitoral

Lula foi reeleito com 64,2 milhões de votos (51,7%), contra 59,8 milhões (48,2%) de Flávio, uma diferença superior a 4,4 milhões de votos. Na segunda-feira, o PL reconheceu a vitória do presidente em nota assinada por Valdemar Costa Neto, que cobrou esclarecimentos sobre a ampliação de gastos públicos com benefícios sociais às vésperas da votação. Antes disso, Flávio havia dito que não reconheceria o resultado, em razão da prorrogação do horário de votação decidida pelo ministro Cristiano Zanin, a pedido de ambas as candidaturas.


Análise: a saída do país muda o peso político e jurídico do episódio. Até a véspera, o senador dizia que permaneceria no Brasil para liderar a oposição, e a ida aos Estados Unidos deixa a oposição sem seu principal nome visível no primeiro momento pós-derrota. Do ponto de vista institucional, o descumprimento de uma ordem do STF tende a ampliar o conflito entre o parlamentar e o Judiciário, mas os inquéritos seguem e a defesa continuará a negar irregularidades. A nota do STF desmentindo buscas, por sua vez, mostra como informações não confirmadas circulam rápido em um cenário de forte tensão. O que se sabe até agora vem de relatos da imprensa e de decisões em sigilo, e o desfecho jurídico ainda é uma incógnita.


Fonte: Agência Brasil

 
 
 

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