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Dólar dá o maior salto diário desde 1999 e Ibovespa despenca 13,88% com circuit breaker após reeleição de Lula

Foto do escritor: Kentidjern Herman
Kentidjern Herman
há 3 minutos
4 min de leitura

ECONOMIA • 27 de outubro de 2026

Dólar dá o maior salto diário desde 1999 e Ibovespa despenca 13,88% com circuit breaker após reeleição de Lula

Foto: REUTERS/Yuriko Nakao (imagem de arquivo, 2011) / Agência Brasil


O mercado financeiro brasileiro viveu nesta segunda-feira (26) um dos pregões mais turbulentos de sua história recente, um dia depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais. O dólar comercial fechou em alta de 8,21%, cotado a R$ 5,403, enquanto o Ibovespa recuou 13,88% e encerrou o dia aos 176.608,23 pontos, depois de acionar o mecanismo de circuit breaker ainda pela manhã.


Dólar: R$ 5,403 (+8,21%). Ibovespa: 176.608,23 pontos (-13,88%). Mínima do índice no dia: 169.516,43 pontos, queda superior a 17%.

A maior alta do dólar desde 1999

O avanço de 8,21% foi a maior valorização percentual diária da moeda americana desde 13 de janeiro de 1999, período marcado por mudanças no regime cambial brasileiro. Durante a manhã, a divisa chegou a R$ 5,605, a máxima da sessão, ultrapassando a marca de R$ 5,60. Ao longo do dia, porém, o dólar perdeu força e recuou para a faixa de R$ 5,40.


De acordo com a Agência Brasil, que reproduziu informações da agência Reuters, o recuo em relação à máxima refletiu um movimento de realização de lucros, em que investidores vendem a moeda para embolsar ganhos, e a entrada de recursos de exportadores, que aproveitaram a cotação elevada para internalizar divisas. O Tesouro Nacional também atuou no mercado por meio da recompra de títulos públicos.


Mesmo depois da disparada, o dólar ainda acumula queda de 1,57% em 2026, e a alta no mês de outubro soma 4,40%. Pelas contas deste blog, a partir da variação informada, a moeda vinha de um fechamento próximo de R$ 4,99, o que dá a dimensão do salto registrado nesta segunda.


Bolsa registra a maior queda desde março de 2020

O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, fechou em baixa de 13,88%, aos 176.608,23 pontos, o menor nível de fechamento desde 31 de agosto. O resultado representa a maior queda diária do índice desde março de 2020, período marcado pelo início da pandemia de covid-19.


Pela manhã, o indicador chegou a recuar mais de 17%, atingindo 169.516,43 pontos. A intensidade da queda levou à ativação do circuit breaker, mecanismo usado pela bolsa para interromper temporariamente as negociações em momentos de forte desvalorização.


O volume financeiro movimentado no pregão foi de R$ 88,6 bilhões, muito acima da média diária de aproximadamente R$ 25 bilhões. Com o resultado, o Ibovespa eliminou os ganhos de outubro e passou a registrar queda acumulada de 5,22% no mês. No acumulado de 2026, o índice ainda mantém valorização de 9,61%.


Posições desfeitas após o resultado das urnas

Segundo a reportagem, o resultado eleitoral alterou as posições que investidores haviam montado antes da votação. Parte do mercado esperava a vitória de Flávio Bolsonaro, que havia liderado o primeiro turno, e precisou ajustar suas estratégias depois da confirmação da reeleição de Lula.


O cenário econômico que o mercado encontra

A turbulência ocorre em um momento de inflação pressionada e juros elevados. Segundo o IBGE, o IPCA-15 de outubro subiu 0,32% e acumula 4,62% em 12 meses, acima dos 4,47% do período imediatamente anterior. A meta contínua de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual, o que fixa o teto em 4,5%.


Em relatório divulgado neste mês, o Fundo Monetário Internacional reduziu de 2,4% para 2,2% a projeção de crescimento do PIB brasileiro em 2026, apontando as condições monetárias ainda restritivas, ou seja, os juros altos, entre os motivos da desaceleração. Já a FGV estimou que a economia cresceu 0,5% em agosto, após dois meses de recuo, com avanço de 1,8% no acumulado de 12 meses.


Análise: Os números de segunda-feira mostram um mercado que reagiu com intensidade a um resultado que parte dos investidores não havia incorporado aos preços. A recuperação parcial do dólar ao longo da tarde, de R$ 5,605 para a faixa de R$ 5,40, sugere que uma fatia do movimento da manhã teve caráter de ajuste rápido de posições, e não necessariamente de uma mudança definitiva de avaliação sobre a economia. Ainda assim, a combinação entre a maior alta diária do dólar em mais de duas décadas e a maior queda da bolsa desde o início da pandemia mantém a volatilidade no radar dos próximos pregões. O ambiente macroeconômico, com inflação acima do teto da meta e juros altos pesando sobre o crescimento, deixa pouco espaço para erros de condução, e é provável que o mercado passe a observar com atenção os sinais do governo reeleito sobre política fiscal e a composição da equipe econômica. A atuação do Tesouro, com a recompra de títulos, indica que as autoridades acompanham de perto o funcionamento do mercado. Se o dólar vai se acomodar ou continuar pressionado, só os próximos pregões dirão.


Fonte: Agência Brasil (reportagem de Wellton Máximo, com informações da Reuters)

 
 
 

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