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Último debate antes do segundo turno mistura propostas e confronto; Lula pede desculpas pelo tom e Flávio ganha direito de resposta

Foto do escritor: Kentidjern Herman
Kentidjern Herman
há 9 minutos
4 min de leitura

POLÍTICA BRASIL • 24 de outubro de 2026

Último debate antes do segundo turno mistura propostas e confronto; Lula pede desculpas pelo tom e Flávio ganha direito de resposta

Foto: EFE / André Coelho


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) se enfrentaram na noite de sexta-feira (23), no último debate antes do segundo turno, marcado para domingo (25). Promovido pela TV Globo nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, o encontro teve mediação do jornalista César Tralli, foi dividido em quatro blocos e durou mais de duas horas. Os candidatos discutiram economia, endividamento, saúde, segurança pública, programas sociais e infraestrutura. Segundo a Gazeta do Povo, o confronto foi marcado pela troca de acusações. Para a Exame, houve mais debate de propostas e disputa pela autoria de medidas já em vigor, com menos acusações de corrupção que no primeiro debate, na Band.


Pesquisa Datafolha de 22 de outubro: Flávio com 47% e Lula com 46%, empate técnico.

Primeiro bloco: infraestrutura, salário e regiões do país

O bloco foi estruturado em perguntas sobre as cinco regiões. Flávio abriu questionando a capacidade de Lula de concluir obras e afirmou que mais de 11 mil estão paralisadas. Lula citou o Programa de Aceleração do Crescimento e obras como a Transnordestina. Ao tratar do custo de vida, Flávio perguntou ao presidente se o salário dele já havia acabado no mês e questionou o poder de compra. Lula defendeu a valorização do salário mínimo e disse que o piso seria de R$ 900 em São Paulo sem os reajustes dos governos do PT.


Sobre a gratuidade do transporte público nos fins de semana, Flávio disse ser favorável, mas ligou a medida a mais impostos, gastos e inflação. No debate sobre o Norte, Lula criticou o adversário por desconhecer a região e lembrou a falta de oxigênio em Manaus durante a pandemia. No Nordeste, destacou a instalação da BYD em Camaçari, na Bahia. Flávio respondeu com a transposição do Rio São Francisco, que, segundo a Exame, não foi integralmente concluída na gestão anterior, e disse que governará em parceria com governadores, inclusive os que não são seus aliados, com foco na segurança pública.


Segundo bloco: "nove dedos", Bolsa Família e SUS

Lula questionou o voto de Flávio contra a ampliação da licença-maternidade, quando era deputado estadual. Flávio reconheceu que mudou de opinião. O momento de maior tensão veio com a expressão "nove dedos", usada pelo senador para se referir ao presidente. Lula cobrou desculpas e disse que a fala desrespeitava trabalhadores que sofreram acidentes. Flávio pediu desculpas e, em seguida, perguntou se o presidente pediria desculpas a moradores de rua, mulheres vítimas de violência e famílias endividadas.


Flávio prometeu reajustar o Bolsa Família e permitir que beneficiários mantenham o auxílio por um período após conseguirem emprego, medida que, segundo a Exame, já existe nas regras atuais. Na saúde, trocaram acusações sobre a pandemia e o SUS, e Flávio prometeu atualizar a tabela de procedimentos.


Terceiro bloco: endividamento e segurança pública

Flávio acusou o governo de agravar o endividamento das famílias e disse que o presidente gastou mais de R$ 405 bilhões para tentar a reeleição. Lula defendeu os dois programas Desenrola, que atenderam cerca de 15 milhões e quase 16 milhões de pessoas, e disse que a proposta de comprar dívidas copia o Desenrola 3, enviado ao Senado. Lula também associou o endividamento às apostas on-line.


Na segurança, Flávio questionou Lula sobre as saídas temporárias de presos e a classificação de PCC e Comando Vermelho como grupos terroristas. Lula citou o caso da menina Ana Clara, cuja mãe estava na plateia, e perguntou por que Flávio defende o policial acusado. O senador manifestou solidariedade à mãe e disse confiar que o policial não foi o autor do disparo.


Quarto bloco e considerações finais

No tema livre, Lula questionou Flávio sobre a disputa pela posse de uma ilha em Angra dos Reis, ligada à denúncia do jogador Richarlison contra o advogado Willer Tomaz. Flávio negou que o imóvel tenha sido do atleta e disse que Tomaz é amigo, não sócio. Flávio também perguntou sobre um uísque avaliado em R$ 500 mil, e Lula citou o banqueiro Daniel Vorcaro.


Nas considerações finais, Lula pediu desculpas pelo tom elevado e disse que o domingo será decisivo para a democracia. Em referência ao adversário, falou em evitar "um miliciano" no governo. Flávio ganhou direito de resposta, afirmou que nunca foi investigado por relação com milícias e prometeu combatê-las. Ele encerrou com três compromissos: recuperar o poder de compra, defender a liberdade e garantir tranquilidade à população.


Análise: o debate não trouxe um vencedor evidente nas fontes consultadas, e a própria avaliação do tom divergiu entre os veículos. O formato da Globo, com perguntas temáticas, abriu espaço para propostas, mas o bloco livre reabriu o confronto pessoal. Em uma disputa que o Datafolha aponta como empate técnico, o efeito dependerá menos do desempenho no estúdio do que da capacidade de cada campanha de levar os pontos de maior repercussão, como o pedido de desculpas dos dois lados e as disputas sobre dívidas e segurança, aos eleitores indecisos nas últimas horas.


Fonte: Gazeta do Povo, Exame e Metrópoles

 
 
 

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