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Arrecadação federal soma R$ 239,4 bilhões em setembro, recorde para o mês, com ajuda do petróleo

Foto do escritor: Kentidjern Herman
Kentidjern Herman
há 38 minutos
3 min de leitura

ECONOMIA • 24 de outubro de 2026

Arrecadação federal soma R$ 239,4 bilhões em setembro, recorde para o mês, com ajuda do petróleo

Foto: Petrobras/divulgação


A arrecadação do governo federal chegou a R$ 239,4 bilhões em setembro, o maior valor para o mês desde o início da série histórica da Receita Federal, em 1995. Os dados foram divulgados na quinta-feira (22). Descontada a inflação, a alta foi de 5,62% sobre setembro de 2025, e o resultado foi impulsionado pelas receitas previdenciárias, pela tributação de rendimentos de capital e pelo imposto sobre a exportação de petróleo, criado temporariamente por causa da guerra no Oriente Médio.


Arrecadação federal: R$ 239,4 bilhões em setembro, alta real de 5,62% e melhor resultado para o mês desde 1995.

O desempenho do mês e do ano

As receitas administradas pela Receita Federal somaram R$ 231,4 bilhões em setembro, alta real de 5,0%. As receitas administradas por outros órgãos públicos chegaram a R$ 7,96 bilhões, avanço real de 26,3%. De janeiro a setembro, a arrecadação totalizou R$ 2,351 trilhões em valores nominais, ou cerca de R$ 2,38 trilhões em valores corrigidos pela inflação, uma alta real de 6,97% sobre o mesmo período de 2025, também recorde para o intervalo.


Segundo a Receita, o ritmo de crescimento do ano se manteve em 5,77% mesmo após a exclusão de R$ 23,87 bilhões em receitas extraordinárias e efeitos de mudanças na legislação. O acumulado de 2026 supera o de 2025, que foi de R$ 2,23 trilhões, e é o terceiro ano seguido de marcas históricas para o período.


O que puxou o resultado

O fisco informou que setembro teve impacto positivo de um ganho não recorrente de R$ 2,943 bilhões com o imposto de exportação de petróleo. Sem esse efeito, as receitas administradas pela Receita teriam crescido 3,69% em termos reais. O setor de petróleo e gás natural arrecadou R$ 12,010 bilhões em tributos administrados pelo fisco, contra R$ 909 milhões em setembro de 2025. A Receita já afirmou, em meses anteriores, que parte dessa alta se deve a uma mudança na classificação tributária de empresas.


Por tributo, as receitas previdenciárias subiram 6,18% em termos reais, o Imposto de Importação e o IPI vinculado cresceram 21,07%, e o Imposto de Renda sobre rendimentos de capital teve alta de 9,68%. O PIS/Pasep e a Cofins somaram R$ 50,4 bilhões, avanço de 0,76%. Entre os setores, destacaram-se serviços de escritório e apoio administrativo (+58,4%), fabricação de eletrônicos (+38,7%) e comércio atacadista (+8,3%).


As medidas tributárias por trás do avanço

Além do crescimento da atividade e da valorização do petróleo, a arrecadação reflete medidas adotadas nos últimos anos: a cobrança sobre fundos exclusivos e recursos mantidos no exterior, a retomada de tributos sobre combustíveis, mudanças na tributação de incentivos fiscais estaduais e a reoneração gradual da folha de pagamentos. Também pesam o fim dos benefícios do Perse, o aumento do IOF sobre crédito e câmbio e a elevação da tributação sobre juros sobre capital próprio.


A meta fiscal de 2026

O aumento da receita é importante para o governo tentar cumprir a meta fiscal de 2026, que prevê superávit primário de 0,25% do PIB, cerca de R$ 34,3 bilhões. Pelas regras do arcabouço, há tolerância de 0,25 ponto percentual para cima ou para baixo, e a legislação permite excluir do cálculo até R$ 57,8 bilhões em despesas como precatórios. Mesmo assim, a projeção aponta para um déficit efetivo de R$ 23,3 bilhões em 2026. Se ela se confirmar, as contas federais terão resultado primário negativo nos três primeiros anos do atual mandato.


Análise: o recorde mostra um caixa mais forte, mas com qualidade desigual. Boa parte da alta vem de fatores que podem não se repetir, como o imposto de exportação de petróleo, criado de forma temporária, e de medidas que ampliaram a carga tributária. Sem o ganho atípico do petróleo, o crescimento real do mês cairia de 5,0% para 3,69% nas receitas administradas pela Receita. Ao mesmo tempo, a projeção de déficit efetivo de R$ 23,3 bilhões indica que a arrecadação recorde ainda não basta para equilibrar as contas, já que as despesas também crescem. Para os próximos meses, o ponto de atenção é saber se o ritmo de receitas se mantém quando os efeitos extraordinários se esgotarem.


Fonte: Reuters, via Forbes Brasil, e Tribuna do Paraná

 
 
 

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