TRE-MA nega candidatura de Roberto Rocha ao Governo do Maranhão; ex-senador recorre ao TSE
POLÍTICA MARANHÃO • 16 de setembro de 2026
TRE-MA nega candidatura de Roberto Rocha ao Governo do Maranhão; ex-senador recorre ao TSE

Foto: Reprodução/O Imparcial
O candidato Roberto Rocha (PRTB) teve o registro de sua candidatura ao Governo do Maranhão indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA). A decisão, aprovada por unanimidade pelos magistrados da Corte regional, foi comunicada na segunda-feira (14), e o ex-senador reagiu ainda no mesmo dia por meio de um vídeo publicado nas redes sociais. O caso ocorre a menos de três semanas do primeiro turno das eleições gerais, marcado para 4 de outubro.
No vídeo, Roberto Rocha atribuiu a ação de impugnação à atuação do ministro do STF Flávio Dino, afirmando que a medida teria como objetivo inviabilizar uma candidatura de direita no estado.
Acusações contra Flávio Dino e Eduardo Braide
Segundo o ex-senador, a decisão do TRE-MA integraria uma estratégia para prejudicar a articulação do palanque regional do pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) no Maranhão. Rocha declarou ainda que Flávio Dino atuaria de forma conjunta com o candidato ao governo estadual Eduardo Braide (PSD) na contestação de sua candidatura, embora não tenha apresentado provas públicas dessa articulação até o momento da publicação do vídeo.
Apesar do resultado desfavorável na Corte regional, a defesa de Roberto Rocha confirmou que vai recorrer da decisão junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), última instância responsável por avaliar recursos sobre registros de candidatura antes do primeiro turno.
O caso de Rocha fazia parte de um grupo de três candidaturas a cargos majoritários no Maranhão que, até a última segunda-feira (14), ainda aguardavam julgamento do TRE-MA. Além dele, também estavam pendentes as candidaturas de Dimas Cassimiro (PCO) ao Governo do Estado e de Simplício Araújo (DC) ao Senado Federal. Dos oito nomes que disputam o Palácio dos Leões, seis já tinham suas candidaturas deferidas pela Justiça Eleitoral antes da decisão sobre Rocha.
Na disputa pelas duas vagas do Maranhão no Senado, a situação jurídica da maioria dos concorrentes já estava regularizada, com dez dos onze candidatos com registro aprovado pelo TRE-MA. De acordo com a legislação eleitoral, pendências de julgamento não impedem a continuidade das candidaturas nem a realização de atos de campanha até que o TSE profira uma decisão final.
Impugnações de candidatura são comuns nas eleições brasileiras e podem ser motivadas por diferentes fundamentos, como inconsistências na documentação, questões de filiação partidária, contas de campanhas anteriores ou condenações judiciais anteriores do candidato. O TRE-MA não divulgou publicamente, até a publicação desta matéria, o fundamento específico usado para negar o registro de Roberto Rocha, o que deixa em aberto se a decisão dos magistrados tem relação direta com as acusações feitas pelo ex-senador contra Flávio Dino e Eduardo Braide.
Análise: A cassação da candidatura de Roberto Rocha, ainda que sujeita a recurso, reconfigura o tabuleiro da disputa ao Governo do Maranhão a menos de três semanas do primeiro turno. Ao recorrer diretamente à figura de Flávio Dino e sugerir uma articulação com Eduardo Braide, Rocha tenta transformar uma decisão técnica do TRE-MA em um enfrentamento político de escala nacional, associando sua candidatura à disputa presidencial e ao campo de apoio a Flávio Bolsonaro. A estratégia tem o potencial de mobilizar o eleitorado mais alinhado à direita em torno de sua defesa, funcionando como um combustível de campanha mesmo em meio à incerteza jurídica. Por outro lado, a ausência de detalhamento público sobre os fundamentos técnicos da decisão do TRE-MA dificulta, por ora, avaliar se as acusações de motivação política encontram respaldo nos autos do processo ou se tratam apenas de uma resposta política à derrota na Corte regional. O desfecho do recurso no TSE deve se tornar um dos capítulos mais observados da corrida eleitoral maranhense, tanto pelo impacto direto na disputa ao Palácio dos Leões quanto pelo precedente que pode estabelecer sobre a relação entre decisões da Justiça Eleitoral estadual e o debate político nacional em torno das eleições de outubro.
Fonte: O Imparcial





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