Paes desiste da disputa pelo governo do Rio após Zanin negar recurso; anulação dos votos de Garotinho favorece Ruas no 1º turno
POLÍTICA BRASIL • 10 de outubro de 2026
Paes desiste da disputa pelo governo do Rio após Zanin negar recurso; anulação dos votos de Garotinho favorece Ruas no 1º turno

Foto: JP. Engelbrecht/Prefeitura do RJ / Agência Brasil
O candidato do PSD ao governo do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, anunciou que abriu mão de sua candidatura depois que o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou na noite de quinta-feira (8) o pedido para derrubar a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que anulou os votos dados a Anthony Garotinho (Republicanos). Com a exclusão desses votos, Douglas Ruas (PL) passa a superar a marca de 50% dos votos válidos e tende a ser declarado eleito ainda no primeiro turno.
Por meio de nota, Paes afirmou que a maioria do eleitorado fluminense, no domingo (4), havia votado de forma a levar a disputa para um segundo turno, mas reconheceu que o entendimento da Justiça precisa ser acatado.
"E decisão judicial a gente respeita. É assim que funciona a democracia." — Eduardo Paes, em nota
Paes promete vigilância sobre o novo governo
No mesmo comunicado, o candidato avaliou que o estado atravessa uma das crises mais graves de sua história, com destaque para a segurança pública. Ele declarou que, apesar do fim da eleição, mantém o compromisso com a população do Rio de Janeiro.
Paes também informou que seu grupo político e o PSD vão acompanhar de perto a futura administração, cobrando resultados de uma gestão que, segundo ele, dá continuidade ao grupo que comanda o estado há oito anos. O candidato disse ainda que seguirá defendendo as mudanças que considera necessárias e agradeceu aos mais de 3,7 milhões de eleitores que votaram nele.
Como o TSE chegou ao novo resultado
Na quinta-feira (8), o plenário do TSE decidiu, por 5 votos a 2, refazer a totalização dos votos válidos sem considerar os sufrágios destinados a Garotinho. Com o recálculo, Douglas Ruas, primeiro colocado, ultrapassa em cerca de 74 mil votos a metade dos votos válidos, o que garante sua eleição sem segundo turno.
Na primeira totalização, que deverá ser descartada, Ruas aparecia com 4.271.199 votos, o equivalente a 49,27% dos válidos. Eduardo Paes havia somado 3.706.984 votos, ou 42,76%. Garotinho recebeu 274.411 votos, cerca de 3,71% do total, agora declarados nulos.
A proclamação oficial do novo resultado ainda depende de ato do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ).
O caminho jurídico da candidatura de Garotinho
O desfecho teve origem em recurso apresentado por Garotinho contra decisão do TRE-RJ que havia indeferido o registro de sua candidatura. Enquanto o recurso aguardava julgamento, o político obteve autorização para ter o nome na urna eletrônica.
Um dia após a votação, Garotinho desistiu do recurso. O TSE, no entanto, rejeitou por unanimidade o pedido de desistência e julgou o mérito na quinta-feira (8), declarando a nulidade dos votos recebidos por ele.
Antes disso, na sexta-feira (2) que antecedeu o primeiro turno, o relator do caso, ministro Floriano de Azevedo Marques, já havia determinado que os votos de Garotinho constassem como anulados sub judice. No próprio domingo de eleição, porém, o ministro Nunes Marques ordenou que esses votos fossem totalizados como válidos até o julgamento do recurso pelo TSE, o que acabou ocorrendo na quinta-feira.
Análise: O episódio do Rio de Janeiro evidencia o peso crescente das decisões judiciais na definição de resultados eleitorais quando há candidaturas com registro pendente. A permissão para que Garotinho figurasse na urna, seguida de determinações divergentes entre ministros e da anulação posterior dos votos, produziu uma semana de incerteza e transformou um cenário de segundo turno em vitória em turno único. A saída de Paes, ao aceitar a decisão sem prolongar a disputa nos tribunais, reduz a tensão institucional, mas o caso tende a alimentar o debate sobre a necessidade de julgar registros de candidatura com antecedência suficiente para que o eleitor saiba, no momento do voto, quais nomes são de fato elegíveis.





Comentários