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Lula na Cúpula da Celac-África Denuncia Neocolonialismo e Critica Inércia da ONU Diante das Guerras

  • Foto do escritor: Kentidjern Herman
    Kentidjern Herman
  • há 4 horas
  • 4 min de leitura

POLÍTICA BRASIL • 22 de março de 2026

Lula na Cúpula da Celac-África Denuncia Neocolonialismo e Critica Inércia da ONU Diante das Guerras

Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

Em discurso neste sábado (21) durante a 10ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e do I Fórum Celac-África, realizado em Bogotá, na Colômbia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso contundente e de repercussão internacional, denunciando o que chamou de retomada do colonialismo por parte das nações mais poderosas do mundo. Lula atacou diretamente as pressões exercidas pelos Estados Unidos sobre países como Cuba, Venezuela e Bolívia, criticou a paralisia do Conselho de Segurança da ONU diante dos conflitos em curso e convocou os países do Sul Global a se unir em defesa da soberania e do multilateralismo.

Lula na Celac: questionou a legalidade de invasões a países soberanos com base na Carta da ONU | Denunciou pressão dos EUA sobre minerais críticos da Bolívia e da América Latina | Criticou o gasto de US$ 2,7 trilhões em armas em 2025 enquanto 630 milhões de pessoas passam fome | Defendeu reforma do Conselho de Segurança da ONU com mais representação do Sul Global | 55 países da União Africana + 33 da Celac = cerca de 2,2 bilhões de pessoas representadas na cúpula.

Soberania em Risco: Cuba, Venezuela e os Minerais da Bolívia

O presidente brasileiro abriu seu discurso questionando a legitimidade das ações de potências estrangeiras sobre países mais fracos. Sem citar diretamente a administração norte-americana pelo nome, Lula perguntou em que trecho da Carta das Nações Unidas — ou de qualquer outro documento do direito internacional — estaria previsto que um país tem o direito de invadir ou controlar outro. A retórica foi direta e obteve repercussão imediata entre os presentes, que incluíam o presidente colombiano Gustavo Petro, o uruguaio Yamandú Orsi e o primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves, além de vinte chanceleres de diferentes nações.

Lula destacou o caso da Bolívia como símbolo das novas formas de colonialismo econômico. O país andino possui uma das maiores reservas de lítio do planeta, mineral essencial para a fabricação de baterias elétricas e para a transição energética global. O presidente argumentou que a pressão para que a Bolívia exporte esses recursos sem agregar valor internamente é uma repetição do padrão histórico de exploração ao qual a América Latina e a África foram submetidas durante séculos. A mensagem foi clara: os países do Sul Global devem exigir industrialização e transferência de tecnologia como condição para qualquer parceria na exploração de seus recursos naturais, e não se contentar com o papel de meros fornecedores de matéria-prima.

ONU Paralisada e a Conta das Guerras: US$ 2,7 Trilhões em Armas, 630 Milhões com Fome

A parte mais contundente do discurso foi a crítica ao Conselho de Segurança da ONU. Lula afirmou que o organismo, criado exatamente para manter a paz mundial, tornou-se refém dos próprios países que o compõem de forma permanente — os mesmos que hoje lideram conflitos ao redor do mundo. Ele citou os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, o genocídio em curso na Faixa de Gaza, os conflitos na Líbia e as guerras no Iraque e na Ucrânia como exemplos do fracasso do sistema multilateral vigente. Para Lula, a estrutura do Conselho de Segurança, com seus cinco membros permanentes e poder de veto irrestrito, está definitivamente ultrapassada e precisa ser reformada para incluir representação adequada da África, da América Latina e do Caribe.

O presidente apresentou um dado que sintetiza o paradoxo da ordem mundial atual: no ano de 2025, o mundo gastou US$ 2,7 trilhões em armas e guerras. No mesmo período, 630 milhões de pessoas continuavam passando fome. Milhões de seres humanos seguem sem acesso à energia elétrica, à educação básica ou a qualquer forma de documentação e proteção legal — muitos deles refugiados ou deslocados pelos próprios conflitos que as grandes potências protagonizam ou financiam. A denúncia foi acompanhada de um chamado à ação conjunta entre os países da Celac e da União Africana, que juntos representam 88 nações e cerca de 2,2 bilhões de pessoas — mais de um quarto da população mundial.

O discurso de Lula em Bogotá é o mais politicamente carregado que o presidente brasileiro proferiu em um fórum multilateral desde o início de seu terceiro mandato. Em um contexto de crise global agravada pela guerra no Oriente Médio, pela escalada do conflito envolvendo EUA, Israel e Irã e pelo impacto econômico do fechamento intermitente do Estreito de Ormuz, o Brasil aposta na liderança diplomática do Sul Global como contraposição ao unilateralismo das potências ocidentais. A posição tem custo político — especialmente nas relações com Washington — mas também potencial estratégico: ao se posicionar como porta-voz dos países excluídos das decisões globais, Lula busca para o Brasil um papel de protagonismo que vai muito além das negociações bilaterais. O teste real será a capacidade de transformar esses discursos em políticas concretas de cooperação, comércio e desenvolvimento entre as nações representadas em Bogotá.

Fonte: Agência Brasil

 
 
 

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