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Lula e Flávio Bolsonaro trocam acusações no primeiro debate das eleições na Band, com embates sobre SUS, escala 6x1, segurança e sigilos

Foto do escritor: Kentidjern Herman
Kentidjern Herman
há 2 minutos
4 min de leitura

POLÍTICA BRASIL • 20 de outubro de 2026

Lula e Flávio Bolsonaro trocam acusações no primeiro debate das eleições na Band, com embates sobre SUS, escala 6x1, segurança e sigilos

Foto: Renato Pizzutto/Band


Os candidatos à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) participaram, no domingo (18), do primeiro debate das eleições na TV Bandeirantes, em São Paulo. O encontro foi marcado por provocações entre os dois e exigiu, em alguns momentos, a intervenção dos mediadores.


"Eu sou uma pessoa que sei ouvir, eu sei escutar", disse Flávio ao explicar por que votou a favor do fim da escala 6x1.

Primeiro bloco: perguntas duras e poucas respostas

Logo no início, Lula questionou Flávio sobre os R$ 134 milhões recebidos do banqueiro Daniel Vorcaro e sobre a defesa de um acusado de assassinar uma criança. O presidente também perguntou sobre a proximidade do adversário com assassinos da vereadora Marielle Franco, a posição contrária à marcação numérica em cápsulas de munição e o voto contra a ampliação da licença-maternidade, durante o mandato de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.


Flávio não respondeu aos questionamentos. Em vez disso, perguntou sobre o filho de Lula, Fábio Luís, investigado por suposta participação em esquema de tráfico de influência, e acusou o governo de responsabilidade por irregularidades no INSS. A Agência Brasil lembrou que os desvios começaram no governo de Jair Bolsonaro e foram combatidos pela atual gestão, que ressarciu os aposentados.


No debate de propostas, Flávio disse que pretende classificar facções criminosas como narcoterroristas e que, se eleito, construirá 500 mil vagas no sistema penitenciário. Lula reafirmou que criará o Ministério da Segurança Pública, para definir as atribuições de municípios, estados e União e envolver o governo federal em ações hoje a cargo de prefeitos e governadores.


SUS, segurança e direitos trabalhistas

No segundo bloco, as propostas ganharam mais espaço. Perguntado sobre o SUS, Flávio disse que indicaria para o Ministério da Saúde o médico Cláudio Lottenberg, presidente do Hospital Albert Einstein, instituição privada, e que pretende instituir um "padrão Einstein" no sistema público.


Lula respondeu que o adversário fala sobre o SUS sem nunca ter usado um serviço público de saúde e perguntou se há intenção de privatizá-lo. O presidente lembrou a condução da pandemia entre 2020 e 2022, citou os mais de 716 mil mortos e afirmou que o governo Bolsonaro atrasou a compra de vacinas. Segundo ele, metade das mortes poderia ter sido evitada se a ciência tivesse sido ouvida. Flávio interrompeu a fala de Lula sem ter direito de resposta naquele momento, e a jornalista Adriana Araújo, que mediou o debate ao lado de Eduardo Oinegue, precisou intervir. Depois, ao responder, Flávio defendeu o governo do pai, argumentando que a pandemia era algo novo e que Bolsonaro deu o seu melhor.


Em outra rodada, Flávio citou os assassinatos de Renata Teles, em dezembro de 2023, e de um sargento da Polícia Militar de Minas Gerais para criticar as saídas temporárias de presos, as chamadas "saidinhas", e perguntou se Lula é favorável ou contrário ao benefício. O presidente defendeu a manutenção para presos de bom comportamento em processo de recuperação, mas disse que condenados por estupro, violência contra mulheres e outros crimes graves não deveriam recebê-lo. Lula também acusou o adversário de defender um eventual indulto a Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado e organização criminosa.


Escala 6x1 e desafio sobre sigilos

Sobre o fim da escala 6x1, proposta defendida pelo governo e recentemente aprovada pelo Congresso, Flávio afirmou ter votado a favor após ouvir trabalhadores, em uma clara mudança de posição, já que antes era contra. A Agência Brasil registrou que a posição anterior, contrária a uma medida de amplo apoio popular, gerou desgaste nas últimas semanas. Lula reagiu dizendo que o adversário nunca entrou em um ônibus, nunca conversou com trabalhadores e nunca trabalhou.


No terceiro bloco, Lula desafiou Flávio a abrirem, no dia seguinte, os sigilos bancário e telefônico de ambos e de seus familiares, para que eventuais irregularidades fossem apuradas antes das eleições. Flávio disse não ter nada a esconder, mas não confirmou expressamente que aceitaria a proposta nos termos apresentados e acusou o presidente, sem provas, de manter recursos fora de suas contas bancárias.


Na área internacional, Lula questionou a relação de Flávio com os Estados Unidos e levantou preocupações sobre a soberania brasileira na exploração de minerais críticos, além de acusar a família Bolsonaro de se subordinar a interesses norte-americanos. O senador defendeu a cooperação internacional contra o crime organizado e negou ter trabalhado pela imposição de tarifas a empresas brasileiras, apesar dos apelos do irmão, Eduardo Bolsonaro, autoexilado nos Estados Unidos. Em segurança pública, Flávio defendeu ampliar câmeras de reconhecimento facial em todo o país e punições mais rigorosas, sem detalhá-las. Lula citou o programa Celular Seguro, que bloqueia aparelhos roubados, e criticou o rival por repetir propostas sem reconhecer ações já em andamento.


Suspeita de bomba após o debate

Ao final, o Grupo de Ações Táticas Especiais da Polícia Militar de São Paulo foi acionado para verificar uma suspeita de bomba em um carro no estacionamento da Band, que pertenceria à equipe de Flávio. Jornalistas e convidados foram impedidos de deixar a emissora durante a ação. Após a varredura, nada foi encontrado e o local foi liberado.


Análise: O debate revelou duas estratégias distintas. Lula concentrou as perguntas em questões pessoais e políticas do adversário e em um balanço comparativo da gestão da pandemia, enquanto Flávio apostou na segurança pública e em investigações que envolvem o entorno do presidente. A mudança de posição de Flávio sobre a escala 6x1 mostra o peso de um tema com amplo apoio popular na disputa, e as trocas sobre sigilos e relação com os Estados Unidos indicam que a campanha tende a seguir marcada por acusações cruzadas. Como o confronto ocorreu a poucos dias da votação decisiva, em 25 de outubro, o desempenho dos dois no vídeo e a repercussão das respostas não dadas podem pesar na percepção do eleitor indeciso.


Fonte: Agência Brasil

 
 
 

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