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Inflação oficial de setembro chega a 0,82%, a maior desde março, e acumulado em 12 meses estoura o teto da meta

Foto do escritor: Kentidjern Herman
Kentidjern Herman
há 6 minutos
4 min de leitura

ECONOMIA • 13 de outubro de 2026

Inflação oficial de setembro chega a 0,82%, a maior desde março, e acumulado em 12 meses estoura o teto da meta

Cédulas de real

Foto: Rafa Neddermeyer / Agência Brasil


O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, fechou setembro em 0,82%, segundo o IBGE. É o maior patamar desde março de 2026, quando o índice marcou 0,88%. Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses subiu para 4,58%, acima do teto de 4,5% tolerado pela meta do governo. O principal fator foi o fim do Bônus de Itaipu, desconto que os consumidores receberam na conta de luz de agosto.


O IPCA de setembro veio em 0,82%, acima dos 0,60% projetados pelo boletim Focus. Em 12 meses, o índice chegou a 4,58%.

Resultado acima do esperado

Os dados foram divulgados na sexta-feira (9). Em agosto, o IPCA havia registrado deflação de 0,32% e o acumulado em 12 meses estava em 4,22%. A última vez que a soma de 12 meses havia ultrapassado o teto da meta foi em junho, quando chegou a 4,64%.


A meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ou seja, entre 1,5% e 4,5%. Desde o início de 2025, a avaliação considera os 12 meses imediatamente anteriores, e não apenas o resultado de dezembro. A meta é considerada descumprida se a inflação ficar fora do intervalo por seis meses seguidos.


O número de setembro superou a estimativa do mercado. O boletim Focus de 5 de outubro, pesquisa do Banco Central com agentes financeiros, projetava 0,60% para o mês. Para o fim de 2026, o mercado indica 5,01%.


Habitação, transportes e alimentos pressionam

Entre os grupos pesquisados pelo IBGE, os que mais empurraram o índice para cima foram habitação (2,31%, com impacto de 0,35 ponto percentual), alimentação e bebidas (0,83%, impacto de 0,18 ponto) e transportes (0,89%, impacto de 0,18 ponto). Também subiram vestuário (0,71%), comunicação (0,64%), artigos de residência (0,27%), despesas pessoais (0,26%), saúde e cuidados pessoais (0,08%) e educação (0,04%).


A habitação foi o grupo de maior pressão por causa da energia elétrica, que avançou 7,98% em setembro, após queda de 7,63% em agosto. A conta de luz teve impacto de 0,32 ponto percentual e foi o preço que mais puxou a inflação do mês. A explicação principal é o fim do Bônus de Itaipu, que distribui o saldo positivo da conta de comercialização da usina como crédito nas contas de energia. Sem o desconto em setembro, a tarifa normal foi comparada à de agosto, mais baixa.


Esse efeito já era esperado pelo IBGE e por analistas. O analista do instituto Fernando Gonçalves lembrou que, em setembro do ano passado, o grupo habitação também subiu, 2,97%. O IBGE informou ainda que houve reajuste contratual na conta de luz em Belém, São Luís e Vitória. Segundo o economista Roberto Luis Troster, do Centro de Estudos Fipe do Endividamento das Empresas Brasileiras, trata-se de um efeito pontual, com influência limitada sobre o mês seguinte. Em outubro, a bandeira tarifária será verde, sem cobrança adicional.


Passagens aéreas, combustíveis e comida

No grupo de transportes, as passagens aéreas subiram 9,66%. Os combustíveis ficaram 1,41% mais caros, com alta na gasolina (1,21%), no etanol (3,16%), no diesel (1,69%) e no gás veicular (0,10%).


Depois de três meses seguidos de queda, o grupo alimentação e bebidas voltou a subir. A alimentação no domicílio ficou 0,96% mais cara. Os maiores impactos vieram do tomate (37,76%), da batata-inglesa (24,07%), da cebola (10,14%) e do arroz (4,56%), enquanto as carnes subiram 0,63%. Do lado das quedas, destacaram-se o frango inteiro (-1,96%), o frango em pedaços (-1,41%) e as frutas (-1,12%).


Segundo Gonçalves, o aumento dos alimentos tem relação com a oferta, por questões climáticas como mais frio e chuva. Ele exemplificou que o frio faz o tomate demorar mais a amadurecer, a chuva atrapalha a plantação de batatas e a cebola fica mais úmida, com pior qualidade. O analista não afirmou que esses efeitos já sejam consequência do El Niño.


INPC: reajuste de salários e benefícios

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias com renda de um a cinco salários mínimos, também fechou setembro em 0,82% e acumula 4,29% em 12 meses, ante 3,98% em agosto. No mês, os alimentos subiram 0,80% e os produtos não alimentícios, 0,83%.


O acumulado em 12 meses do INPC costuma servir de referência para o reajuste de salários de várias categorias. O salário mínimo leva em conta o dado de novembro. O seguro-desemprego, o teto do INSS e o benefício de quem recebe acima do mínimo são reajustados com base no INPC acumulado até dezembro. Os alimentos têm peso maior no INPC (cerca de 25%) do que no IPCA (cerca de 21%), porque as famílias de menor renda gastam proporcionalmente mais com comida.


Difusão e serviços

O índice de difusão mostra que 55% dos 377 produtos e serviços pesquisados tiveram aumento de preço, ante 54% no mês anterior. O grupo de serviços, mais sensível ao aquecimento da economia e à taxa Selic, subiu 0,61% em setembro e acumula 5,98% em 12 meses. Já os preços monitorados, em grande parte controlados por contratos, avançaram 1,59% no mês e somam 4,13% no ano.


Análise: O resultado de setembro mistura um fator pontual, o fim do Bônus de Itaipu, com sinais que merecem atenção. A alta dos alimentos depois de três meses de queda, a pressão dos combustíveis e a difusão de 55% mostram que a aceleração não se explica apenas pela conta de luz. Com o acumulado em 12 meses em 4,58%, acima do teto, e a projeção do mercado em 5,01% para o fim do ano, a inflação segue como ponto sensível para o Banco Central e para o poder de compra das famílias. Para quem depende do INPC em reajustes, o índice de 4,29% em 12 meses indica ganhos reais limitados caso a tendência se confirme.


 
 
 

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