Lula Classifica Relação de Flávio Bolsonaro com Banqueiro Vorcaro como 'Caso de Polícia' e Demanda Apuração da PF
- Kentidjern Herman
- há 3 dias
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POLÍTICA BRASIL • 14 de maio de 2026
Lula Classifica Relação de Flávio Bolsonaro com Banqueiro Vorcaro como 'Caso de Polícia' e Demanda Apuração da PF

Foto: Frame Canal GOV / Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu nesta quinta-feira (14) ao escândalo que envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master. Durante visita à fábrica de fertilizantes da Petrobras em Camaçari, na Bahia, Lula foi abordado pela imprensa e recusou entrar no mérito político da polêmica, remetendo o assunto às autoridades competentes. A declaração presidencial colocou ainda mais combustível em uma crise que já movimentava o Congresso e as instâncias investigativas desde a publicação, na véspera, de reportagem do portal The Intercept Brasil revelando áudios e documentos comprometedores sobre a relação entre o senador e o banqueiro.
A reportagem do The Intercept Brasil revelou que Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência da República e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, articulou junto a Vorcaro um aporte de 24 milhões de dólares — cerca de R$ 134 milhões — para financiar a produção do filme Dark Horse, obra que pretende contar a trajetória política do pai com uma narrativa favorável. O Intercept divulgou áudios em que o próprio senador pede o dinheiro ao banqueiro e menciona atrasos nos pagamentos que estariam colocando em risco a continuidade das gravações, realizadas no exterior com atores internacionais, entre eles Jim Caviezel, e sob a direção de Cyrus Nowrasteh.
Eu não vou comentar, é um caso de polícia, não meu. Eu não sou policial, não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia. Tem algum delegado aqui? Não tem. Então vá na primeira delegacia da PF e pergunte como vai ser tratado o caso dele.
O escândalo: R$ 134 milhões e um filme polêmico
Daniel Vorcaro está preso preventivamente na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, investigado por supostamente liderar uma organização criminosa que praticava fraudes financeiras no âmbito do Banco Master. A instituição teve sua liquidação decretada pelo Banco Central no fim do ano passado após se tornar incapaz de honrar compromissos com depositantes e investidores. Segundo o Intercept, as últimas trocas de mensagens entre Flávio e Vorcaro datam de novembro de 2025, exatamente no período que antecedeu a intervenção do Banco Central. A investigação apura ainda se parte dos recursos foi transferida para um fundo nos Estados Unidos ligado a Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio.
Horas após a publicação da reportagem, Flávio Bolsonaro divulgou uma nota e um vídeo admitindo que pediu o dinheiro, mas negando qualquer irregularidade. O senador afirmou ter conhecido Vorcaro em dezembro de 2024, quando o banqueiro ainda não estava sob suspeita pública, e disse que a relação se tratava de um patrocínio privado para um filme privado, sem envolvimento de dinheiro público ou da Lei Rouanet. A declaração foi recebida com ceticismo por parlamentares da oposição ao governo Bolsonaro, especialmente diante do valor envolvido. Parlamentares do PT, do PSOL e do PCdoB anunciaram formalmente a apresentação de denúncia à PF, requerimento à Receita Federal e pedido de abertura de CPI para investigar possíveis crimes como lavagem de dinheiro, corrupção passiva e tráfico de influência.
O caso chega em momento politicamente delicado para Flávio Bolsonaro, que se apresentava como o nome mais forte da direita para disputar a presidência da República em outubro de 2026. A associação com Vorcaro, banqueiro investigado por fraudes bilionárias, e a revelação de pedidos de recursos milionários para um projeto cinematográfico pró-Bolsonaro levantam questões graves sobre transparência, fontes de financiamento e eventual uso de influência política em benefício privado. A Polícia Federal, que já mantém Vorcaro preso e negocia com ele um possível acordo de delação premiada, é a instituição que, segundo o próprio presidente Lula, deverá dar a palavra final sobre os contornos jurídicos do escândalo — cujos desdobramentos tendem a pautar o noticiário político nacional nas próximas semanas.
Fonte: Agência Brasil





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