Inflação Projetada Sobe pelo 4º Mês Seguido e Atinge 4,36% em 2026, Pressionada por Petróleo a US$ 110
- Kentidjern Herman
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ECONOMIA • 8 de abril de 2026
Inflação Projetada Sobe pelo 4º Mês Seguido e Atinge 4,36% em 2026, Pressionada por Petróleo a US$ 110

Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil
O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (6) confirmou a quarta elevação consecutiva nas projeções de inflação para 2026. A mediana das expectativas do mercado financeiro para o IPCA subiu de 4,31% para 4,36%, patamar que se aproxima perigosamente do teto da meta oficial de 4,5%. O movimento reflete, principalmente, os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre o preço internacional do petróleo, que subiu de US$ 72 para US$ 110 o barril desde o início do conflito, pressionando os custos de combustíveis, fretes e insumos em toda a cadeia produtiva brasileira.
Com IPCA projetado em 4,36% para 2026, o mercado financeiro prevê inflação a apenas 0,14 ponto percentual do teto da meta — o espaço mais estreito desde o agravamento da crise energética global iniciada no início do ano.
Selic, PIB e Dólar: os Outros Indicadores do Focus
Além da inflação, os demais indicadores do Boletim Focus permaneceram estáveis em relação à semana anterior. A taxa Selic está projetada em 12,5% ao ano para o fim de 2026 — uma redução expressiva em relação ao patamar atual de 15%, mas que indica um ciclo de cortes mais lento do que se imaginava no início do ano. O Comitê de Política Monetária (Copom) tem sua próxima reunião marcada para 28 e 29 de abril, e o mercado espera um corte de 0,25 ponto percentual, ritmo mais cauteloso em função da incerteza inflacionária. A expectativa de crescimento do PIB para 2026 foi mantida em 1,85%, e a projeção do dólar para o fim do ano ficou em R$ 5,40.
O Banco Safra, em relatório divulgado na mesma semana, incorporou ao cenário-base a alta do petróleo e revisou para cima sua projeção do IPCA 2026 para 4,3%. A instituição avalia que o choque tem efeito ambíguo sobre a economia brasileira: de um lado, melhora os termos de troca, fortalece o real diante de outras moedas emergentes e eleva a projeção de superávit comercial para US$ 81 bilhões; de outro, encarece insumos, pressiona a inflação ao consumidor e reduz o espaço para cortes mais intensos da Selic. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sinalizou que a autoridade monetária adotará postura conservadora diante da baixa visibilidade do cenário internacional.
O governo Lula respondeu ao choque com o pacote de combustíveis anunciado na segunda-feira (6), que inclui subsídios ao diesel e ao gás de cozinha, isenção de impostos sobre o querosene de aviação e linhas de crédito para companhias aéreas. O custo total do pacote é estimado em até R$ 31 bilhões, mas o governo defende que o impacto fiscal será neutro, compensado pelo aumento extraordinário das receitas com royalties do petróleo — que subiu junto com a cotação do barril. A eficácia das medidas, no entanto, depende da adesão das distribuidoras privadas, que não participaram de programas semelhantes em março.
A trajetória da inflação brasileira em 2026 é determinada hoje, em larga medida, por uma variável que o Banco Central não controla: o preço do petróleo internacional. Enquanto o conflito no Oriente Médio persistir e o Estreito de Ormuz permanecer bloqueado, a pressão sobre combustíveis, fretes e alimentos deve continuar. A boa notícia é que o real valorizou em relação a moedas emergentes concorrentes, e o saldo comercial deve bater recorde em 2026 graças às exportações de petróleo. A má notícia é que a população paga na bomba de combustível os preços de uma guerra que não escolheu. O pacote do governo é uma resposta razoável, mas sua eficácia real dependerá de operação fina entre governo, distribuidoras e consumidores.
Fonte: Agência Brasil / Boletim Focus / Banco Safra





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