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Globo cancela último debate presidencial antes do 1º turno após ausências de Lula e Flávio e decisões judiciais

Foto do escritor: Kentidjern Herman
Kentidjern Herman
há 2 dias
3 min de leitura

POLÍTICA BRASIL • 2 de outubro de 2026

Globo cancela último debate presidencial antes do 1º turno após ausências de Lula e Flávio e decisões judiciais

Foto: Rafa Neddermeyer / Agência Brasil


A TV Globo cancelou o debate entre candidatos à Presidência da República previsto para a noite desta quinta-feira (1º), o último confronto televisivo antes do primeiro turno das Eleições 2026, marcado para domingo (4). O anúncio ocorreu depois de um dia de reviravoltas: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já havia comunicado que não compareceria, o senador Flávio Bolsonaro (PL) desistiu horas antes do programa e duas decisões judiciais alteraram as regras e a composição do encontro.


"Foi cancelado um debate presidencial por censura." — Flávio Bolsonaro (PL)

Decisão do TSE barrou púlpito vazio de Lula

A primeira mudança partiu da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ela determinou que a emissora não poderia exibir o púlpito vazio de Lula, candidato à reeleição, durante o debate. A decisão atendeu a um pedido da coligação do presidente, que buscava suspender uma cláusula do contrato do programa prevendo a exibição da cadeira vazia de candidatos ausentes. Na quarta-feira (30), a equipe de Lula havia informado que ele não participaria do encontro.


Segundo a ministra, a participação em debates é facultativa, e mostrar a cadeira vazia poderia prejudicar o candidato. Estela Aranha também proibiu que os demais concorrentes simulassem perguntas dirigidas ao ausente. Na avaliação da magistrada, a única consequência jurídica da ausência é a perda da oportunidade de participar daquela rodada, sem medidas de caráter coercitivo, que configurariam cerceamento dos direitos políticos.


Na noite de quinta, Flávio Bolsonaro anunciou que também não iria ao debate, embora tivesse confirmado presença anteriormente. Em transmissão ao vivo em seu perfil no Instagram, o candidato do PL criticou a interferência da Justiça Eleitoral no programa, classificou o episódio como um fato negativo e afirmou que a situação teria deixado de ser Justiça para se tornar perseguição.


Outra decisão, desta vez do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou no início da noite a participação de Renan Santos (Missão) no debate. O candidato estava em um ato de campanha em Niterói (RJ). Pouco depois, a Globo anunciou o cancelamento. Estavam previstas as participações de Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo), que acabaram sem o confronto televisivo na reta final da campanha.


Enquanto o debate era cancelado, Lula concedeu entrevista ao Flow Podcast, no Palácio da Alvorada. Ele afirmou que, caso se confirme grande quantidade de petróleo na Margem Equatorial, os recursos da exploração deverão ser destinados à educação. O presidente também voltou a defender uma reforma no Judiciário, com mandato para ministros do STF e a criação de um conselho da sociedade civil para indicá-los, em vez da escolha pelo presidente da República.


Os demais candidatos tiveram agendas variadas. Wilson Grassi (Democrata) se reuniu com representante da Missão de Observação Eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA), e Clariana Barão (DC) participou de agenda online com a mesma organização. Hertz Dias (PSTU) esteve com o youtuber e professor da USP Chavoso, fez panfletagem em Guarulhos e visitou a Unifesp. Edmilson Costa (PCB), Rui Costa Pimenta (PCO) e Samara Martins (UP) não tiveram agenda pública.


Análise: O cancelamento do último debate do primeiro turno priva o eleitor de um momento tradicional de comparação direta entre propostas, justamente na reta final da disputa. O episódio expõe a tensão entre dois princípios legítimos: de um lado, o direito do candidato de não comparecer sem sofrer constrangimento; de outro, a liberdade da emissora de organizar o programa conforme regras previamente acordadas. Decisões judiciais tomadas a poucas horas do evento, combinadas com desistências de última hora, criaram um ambiente de incerteza que acabou inviabilizando o encontro. A ausência dos dois candidatos mais citados na disputa reforça a tendência de campanhas que preferem canais próprios, como lives e podcasts, ao confronto aberto. Quem perde é o eleitor, que vai às urnas no domingo sem ter visto os principais concorrentes frente a frente na televisão.


Fonte: Agência Brasil — https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2026-10/tse-decide-que-globo-nao-podera-exibir-cadeira-vazia-em-debate e https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-10/Lives-e-cancelamento-de-debate-marcam-quinta-feira-dos-candidatos

 
 
 

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