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Contas do governo central fecham setembro com superávit de R$ 4,8 bilhões, puxadas por petróleo e Imposto de Renda

Foto do escritor: Kentidjern Herman
Kentidjern Herman
há 5 minutos
3 min de leitura

ECONOMIA • 1º de novembro de 2026

Contas do governo central fecham setembro com superávit de R$ 4,8 bilhões, puxadas por petróleo e Imposto de Renda

Foto: Rafa Neddermeyer / Agência Brasil


O Governo Central, que reúne Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central, registrou superávit primário de R$ 4,8 bilhões em setembro de 2026. O resultado contrasta com o déficit de R$ 14,4 bilhões do mesmo mês de 2025 e foi divulgado pela Secretaria do Tesouro Nacional. Segundo o levantamento, o desempenho foi impulsionado principalmente pela alta das receitas com petróleo e com o Imposto de Renda.


Superávit primário de R$ 4,8 bilhões em setembro, ante um déficit de R$ 14,4 bilhões em setembro de 2025.

Receitas crescem acima das despesas

A receita líquida do governo avançou 13,6% acima da inflação na comparação com setembro do ano passado, o que representa um aumento de R$ 24,6 bilhões. No mesmo período, as despesas cresceram 2,4%, ou R$ 4,7 bilhões. A diferença entre o ritmo de arrecadação e o de gastos explica a virada do resultado, que saiu do vermelho para o azul.


Entre os fatores que sustentaram a arrecadação aparecem as receitas ligadas a recursos naturais, que subiram R$ 5,7 bilhões em termos reais, uma alta de 71,9%. De acordo com a reportagem, o movimento reflete o aumento dos preços internacionais do petróleo, a maior produção e a venda de óleo e gás pela Pré-Sal Petróleo (PPSA). O imposto de exportação sobre petróleo bruto rendeu R$ 2,9 bilhões no mês.


Precatórios e Imposto de Renda

Outro componente relevante foi o grupo de outras receitas não administradas, que cresceu R$ 12,8 bilhões em termos reais. O principal motivo foi a entrada extraordinária de recursos de precatórios que foram cancelados e devolvidos aos cofres públicos. Já o Imposto de Renda avançou R$ 7,3 bilhões acima da inflação, com destaque para o imposto pago por pessoas jurídicas.


O movimento conversa com outro dado já noticiado pelo blog: a arrecadação federal somou R$ 239,4 bilhões em setembro, recorde para o mês, também com ajuda do petróleo.


O que pesou do lado das despesas

Do lado dos gastos, os créditos extraordinários aumentaram R$ 9,9 bilhões. A maior parte foi destinada a medidas de enfrentamento dos efeitos econômicos da guerra no Oriente Médio, incluindo R$ 7,6 bilhões em subsídios à produção e à importação de diesel e derivados de petróleo.


Os benefícios da Previdência também subiram, R$ 2,1 bilhões acima da inflação, por causa do maior número de beneficiários do Regime Geral de Previdência Social e dos aumentos reais do salário mínimo. Em sentido contrário, as despesas discricionárias recuaram R$ 8,4 bilhões em termos reais, o que compensou parte da alta nos gastos previdenciários.


Acumulado do ano

De janeiro a setembro, o Governo Central acumula déficit primário de R$ 90,2 bilhões. No mesmo período de 2025, o déficit era de R$ 100,3 bilhões, ou seja, o resultado do ano está menos negativo do que o do ano passado, embora ainda no campo do déficit.


Análise: o superávit de setembro é uma boa notícia, mas precisa ser lido com cuidado. Parte importante do resultado veio de fontes que não se repetem com a mesma regularidade, como a devolução extraordinária de precatórios cancelados, e de um petróleo valorizado, que depende do cenário internacional. Quando se olha o acumulado de janeiro a setembro, o governo ainda registra déficit de R$ 90,2 bilhões, o que mostra que um mês positivo não muda sozinho a trajetória das contas.


Também chama atenção o peso dos créditos extraordinários ligados à guerra no Oriente Médio. Os R$ 7,6 bilhões em subsídios ao diesel e derivados indicam que o conflito externo está sendo absorvido pelo orçamento brasileiro, e que o governo destina recursos para subsidiar a produção e a importação de diesel e derivados. Se o conflito se prolongar, essa conta pode continuar pressionando as despesas.


Por fim, o recuo de R$ 8,4 bilhões nas despesas discricionárias mostra que há contenção em parte dos gastos, mas a alta dos benefícios previdenciários sinaliza que o orçamento segue engessado por despesas obrigatórias. Nos próximos meses, será importante acompanhar se a arrecadação ligada ao petróleo e ao Imposto de Renda se mantém e se o acumulado do ano continua a recuar em relação a 2025.


Fonte: Agência Brasil (https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-10/contas-do-governo-tem-superavit-de-r-48-bilhoes-em-setembro)

 
 
 

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