Augusto Cury propõe semipresidencialismo e mandato fixo de 8 anos para ministros do STF
POLÍTICA BRASIL • 17 de setembro de 2026
Augusto Cury propõe semipresidencialismo e mandato fixo de 8 anos para ministros do STF

Foto: Divulgação
O candidato Augusto Cury (Avante) apresentou nesta quinta-feira (17) seu programa de governo para a disputa à Presidência da República. O documento, com cerca de 200 páginas, está organizado em 18 projetos e 20 teses e propõe três mudanças estruturais: a adoção do regime semipresidencialista, a fixação de mandato de oito anos para os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a criação de uma política permanente de diplomacia econômica.
A divulgação integra uma série especial da Agência Brasil, que publica entre esta quinta-feira (17) e domingo (20) os programas de governo de todos os candidatos à Presidência, seguindo a ordem alfabética dos nomes.
Educação integral e proteção às mulheres entre as prioridades
O programa coloca a educação em tempo integral como eixo estratégico central, com propostas de ambientes escolares voltados a debates, artes, esportes e convivência, além de um ensino médio que combine formação acadêmica, humanística e profissionalizante. O texto também prevê a reestruturação de universidades para que atuem como polos de inovação e geração de patentes, e traz um eixo específico voltado ao acolhimento de estudantes com autismo, TDAH, dislexia e altas habilidades, com a criação de planos de inclusão por escola.
Na área da proteção à mulher, a candidatura propõe uma política nacional integrada de combate ao feminicídio, com uso de botões de alerta e monitoramento de agressores, além de prioridade em programas de qualificação profissional e crédito facilitado para vítimas de violência doméstica.
No campo econômico, o programa prevê a criação de um novo ministério voltado ao empreendedorismo e à economia distribuída, com a meta de descentralizar a produção por meio de milhões de micro e pequenas empresas. Entre as ferramentas propostas estão uma rede de escolas e clubes de empreendedorismo e um banco público voltado à concessão de crédito de baixo custo, incluindo beneficiários de programas sociais. Para áreas urbanas de baixa renda, o plano projeta a regularização fundiária de milhões de moradias ao longo de uma década, sem remoção dos atuais ocupantes, associada a um programa de melhorias de infraestrutura local.
Para o setor agropecuário, o documento propõe transformar áreas do semiárido em uma nova fronteira agrícola, com investimentos em segurança hídrica e irrigação de precisão inspirados em experiências internacionais, com o objetivo declarado de dobrar a produção nacional de alimentos e ampliar fortemente as exportações de frutas na próxima década. Também estão previstos incentivos à instalação de polos comerciais ao longo de rodovias federais e o fomento a agroindústrias no interior do país, incluindo novas usinas de etanol de milho concentradas na região Nordeste.
O programa também aposta no cooperativismo como estratégia de desenvolvimento, com a meta de dobrar o número de cooperados no país por meio de uma nova autoridade nacional do setor, e prevê a criação de zonas francas de exportação voltadas a tecnologias de ponta, como inteligência artificial, robótica e energias limpas.
Na política externa, a candidatura defende a modernização das embaixadas brasileiras, com foco em diplomacia econômica e redirecionamento de parte do corpo diplomático para mercados emergentes na Ásia e no Oriente Médio. O plano ainda propõe a criação de um fundo internacional de combate à fome, financiado pelo comércio global, com meta de mobilizar dezenas de bilhões de dólares por ano.
Já na saúde, o programa propõe uma plataforma pública de medicina digital voltada a desafogar o Sistema Único de Saúde (SUS), com meta de atendimento em até 30 minutos para casos compatíveis, além de um programa de rastreamento contínuo de diversos tipos de câncer. Na área ambiental, o plano estabelece a meta de alcançar 90% de matriz energética limpa até 2040 e prevê o uso de inteligência artificial e drones no combate a incêndios florestais e no monitoramento da Amazônia. Na segurança pública, o candidato propõe unificar a atuação das polícias estadual e federal em um sistema integrado de dados e criar uma força municipal de combate ao crime organizado.
Análise: O programa de Augusto Cury se destaca pela amplitude temática e pela ambição das metas numéricas apresentadas, características comuns a planos de candidaturas de menor competitividade eleitoral, que costumam usar o espaço institucional garantido pela divulgação oficial dos programas para ganhar visibilidade em propostas específicas. A defesa do semipresidencialismo e do mandato fixo para ministros do STF dialoga com um debate institucional que já vinha sendo levantado por outros setores políticos, mas dificilmente avançará em um cenário eleitoral dominado pela disputa entre as candidaturas com maior competitividade nas pesquisas. Ainda assim, a publicação sequencial dos planos de governo pela Agência Brasil cumpre papel relevante ao dar tratamento equânime a candidaturas de diferentes tamanhos, permitindo que o eleitor compare não apenas os nomes mais cotados, mas o conjunto de propostas em disputa nas eleições de outubro.
Fonte: Agência Brasil





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