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Alcolumbre manobra para bloquear CPMI do Banco Master pelo segundo mês consecutivo

  • Foto do escritor: Kentidjern Herman
    Kentidjern Herman
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

POLÍTICA BRASIL • 21 de maio de 2026

Alcolumbre manobra para bloquear CPMI do Banco Master pelo segundo mês consecutivo

Foto: Divulgação / Jornal Pequeno

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito destinada a investigar as operações do Banco Master segue bloqueada no Congresso Nacional. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), deve impedir pela segunda vez consecutiva a instalação da CPMI ao pautar a sessão desta quinta-feira (21) exclusivamente para a apreciação do veto presidencial à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), deixando sem espaço qualquer votação sobre a comissão de inquérito.

Segundo apuração do Jornal Pequeno, o Amapá Previdência — fundo de pensão do estado natal de Alcolumbre — teria depositado cerca de R$ 400 milhões no Banco Master em condições que levantam questionamentos sobre a origem e a destinação dos recursos.

A manobra e os bastidores do Senado

A estratégia do senador do Amapá é amplamente interpretada como uma manobra para proteger a instituição financeira de uma investigação mais aprofundada no Parlamento. O Banco Master — controlado por Daniel Vorcaro — está sob escrutínio após denúncias de irregularidades nas operações e na composição de sua carteira de ativos, que inclui créditos contra o poder público e precatórios de elevado risco de inadimplência.

A CPMI foi aprovada formalmente pelo Congresso, mas depende de sua instalação efetiva para que os trabalhos se iniciem. A presidência das duas casas legislativas tem poder para pautar ou não a votação da composição da mesa diretora da comissão, o que na prática permite o travamento indefinido da investigação. Ao pautar apenas o veto à LDO para a sessão de quinta-feira, Alcolumbre garante mais uma semana de paralisia para a comissão.

A guinada de Flávio Bolsonaro

Uma das viradas políticas mais comentadas da semana foi a mudança de posição do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Anteriormente contrário à instalação da CPMI, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro passou a defender publicamente a abertura das investigações. A mudança foi interpretada pelos analistas políticos como um movimento estratégico ligado à sua pré-campanha para as eleições de 2026, em que posições de enfrentamento ao establishment financeiro podem ter apelo junto ao eleitorado de direita.

A guinada de Flávio gerou constrangimento entre aliados do governo federal, que até então contavam com o bloco bolsonarista para dificultar a formação do quórum necessário à instalação da comissão. Com a mudança, a pressão sobre Alcolumbre para que a CPMI seja pautada deve crescer nas próximas semanas, tornando a posição do presidente do Senado cada vez mais difícil de sustentar publicamente.

Oposição reage com indignação

Parlamentares da oposição reagiram com dureza à mais recente manobra do presidente do Senado. Para eles, a recusa em pautar a CPMI enquanto há denúncias de movimentação suspeita de recursos previdenciários configura um abuso do poder de pauta em benefício de interesses privados. A pressão aumenta também por parte de entidades da sociedade civil, que acompanham de perto a situação do Banco Master e cobram transparência das autoridades legislativas.

A instituição financeira tem sido objeto de análise por agências de risco e órgãos de supervisão, que monitoram a qualidade de seus ativos e sua capacidade de honrar compromissos com credores e depositantes. O Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também conduzem avaliações paralelas sobre as práticas do banco, ampliando o cerco regulatório sobre a instituição.

Próximos passos

Com a sessão desta quinta-feira dominada pelo debate sobre o veto à LDO, a expectativa é de que a questão da CPMI do Banco Master seja novamente empurrada para as semanas seguintes. O cenário pode mudar caso haja articulação suficiente entre os partidos de oposição e setores do governo insatisfeitos com a gestão de Alcolumbre à frente do Senado. A investigação não se limita ao âmbito parlamentar: o Banco Central e a CVM também conduzem avaliações sobre as práticas da instituição, cujos resultados podem pressionar por uma resposta política mais robusta do Congresso.

A sucessiva obstrução da CPMI do Banco Master revela um padrão preocupante de uso institucional do poder de pauta para blindar investigações que poderiam expor vínculos entre política e sistema financeiro. A mudança de posição de Flávio Bolsonaro — transformando a questão em bandeira eleitoral — adiciona uma camada de cálculo político ao tema que pode, paradoxalmente, dar o impulso necessário para que a comissão finalmente seja instalada. O episódio ilustra como o controle da agenda legislativa permanece sendo uma das ferramentas mais eficazes de defesa de interesses no Brasil contemporâneo.

Fonte: Jornal Pequeno

 
 
 

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