Acordo Mercosul-UE Entra em Vigor Após 26 Anos: Brasil Amplia Acesso ao Mercado Europeu com Tarifa Zero para Mais de 5 Mil Produtos
- Kentidjern Herman
- há 2 dias
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ECONOMIA • 01 de maio de 2026
Acordo Mercosul-UE Entra em Vigor Após 26 Anos: Brasil Amplia Acesso ao Mercado Europeu com Tarifa Zero para Mais de 5 Mil Produtos
Foto: União Europeia / Mercosul
Após 26 anos de negociações que envolveram décadas de avancos, recuos e impasses diplomáticos, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia entrou em vigor na sexta-feira (1º de maio de 2026), dando início à maior zona de livre comércio do planeta em número de habitantes. Com a aplicação imediata de tarifas zeradas para mais de 5 mil produtos brasileiros destinados ao mercado europeu, o Brasil dá um salto histórico em competitividade no comércio internacional.
O acordo conecta 31 países — 27 da União Europeia e 4 do Mercosul —, reunindo mais de 720 milhões de consumidores e um PIB conjunto superior a US$ 22 trilhões.
O que muda imediatamente para o Brasil
Já na fase inicial de implementação, mais de 80% das exportações brasileiras para a Europa passam a ter tarifa zero, segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Entre os quase 3 mil produtos beneficiados de imediato, 93% são bens industriais. Os setores com maior impacto imediato incluem máquinas e equipamentos, alimentos processados, metalurgia, materiais elétricos e produtos químicos. No caso de máquinas e equipamentos, praticamente toda a pauta exportada pelo Brasil à Europa, incluindo compressores, bombas industriais e peças mecânicas, passará a entrar no mercado europeu sem custos tarifarios.
O alcance do acordo também transforma o perfil do comércio exterior brasileiro de forma estrutural. Hoje, países com os quais o Brasil tem acordos comerciais vigentes respondem por cerca de 9% das importações globais. Com a entrada da União Europeia nesse grupo, esse percentual poderá superar 37%. A ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações) estima que o acordo pode gerar um incremento de até US$ 7 bilhões nas vendas brasileiras ao exterior.
Aplicação provisória e pendências jurídicas
A entrada em vigor ocorre de forma provisória. Em janeiro, o Parlamento Europeu encaminhou o texto do acordo para análise do Tribunal de Justiça da União Europeia, que deverá avaliar sua compatibilidade jurídica com as normas do bloco — processo que pode durar até dois anos. A decisão de aplicar o tratado antes desta análise ser concluída partiu da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que garantiu a aplicação imediata da parte comercial para não atrasar os benefícios já acordados. Ainda serão definidos detalhes operacionais, como a distribuição de cotas de exportação entre os países do Mercosul.
Resistências e o contexto geopolítico
O acordo não foi aprovado sem resistência. A França lidera a oposição dentro da União Europeia, temendo que a chegada de produtos agropecuários sul-americanos a preços mais baixos prejudique seus agricultores. Países como Polônia, Irlanda e Áustria também expressaram reservas. Por outro lado, Alemanha e Espanha apoiam o tratado, enxergando oportunidades estratégicas diante do tarifaço imposto pelos Estados Unidos e da necessidade de diversificar parceiros comerciais. O acordo foi assinado formalmente em Assunção, no Paraguai, em janeiro de 2026, após os parlamentos de Argentina, Uruguai, Paraguai e Brasil ratificarem o texto. No Brasil, o Congresso Nacional promulgou o acordo em março, e o presidente Lula assinou o decreto de promulgação em 28 de abril.
Análise
A entrada em vigor do acordo Mercosul-UE representa muito mais do que uma redução tarifária: é uma reconfiguração da posição do Brasil no comércio global. Num momento em que o multilateralismo é colocado à prova pelo protecionismo norte-americano e pela fragmentação das cadeias produtivas, o Brasil e seus parceiros sul-americanos se movem na direção oposta, fortalecendo laços com um dos blocos mais relevantes do mundo. O desafio agora é garantir que os ganhos do acordo cheguem às empresas médias e pequenas, que dependem de orientação técnica, desburocratização e infraestrutura logística para aproveitar os novos mercados abertos. O sucesso da implementação será o verdadeiro teste do acordo.
Fonte: Agência Brasil





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