top of page
banner-920×114px-alema.gif

Prévia da inflação oficial sobe 0,70% em setembro, a maior desde abril

Foto do escritor: Kentidjern Herman
Kentidjern Herman
há 4 horas
3 min de leitura

ECONOMIA • 25 de setembro de 2026

Prévia da inflação oficial sobe 0,70% em setembro, a maior desde abril

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil


A prévia da inflação oficial de setembro ficou em 0,70%, a maior taxa desde abril, quando o índice havia marcado 0,89%. O resultado representa uma reversão em relação a agosto, mês em que o indicador registrou deflação de 0,40%. Os dados são do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgado nesta sexta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


Com o resultado, o IPCA-15 acumula alta de 4,47% em 12 meses — ante 4,24% em agosto — e de 3,82% no ano, a apenas 0,03 ponto percentual do teto da meta de inflação, fixado em 4,5%.

Fim do bônus de Itaipu na conta de luz explica maior parte da alta

A principal explicação para a aceleração está na devolução do bônus de Itaipu, desconto que os consumidores tiveram na conta de luz no mês anterior. O grupo Habitação, que mais pressionou a prévia, subiu 2,07% e teve impacto de 0,31 ponto percentual no índice geral. Dentro desse grupo, a energia elétrica residencial avançou 7,42% em setembro, o maior impacto individual do IPCA-15, de 0,29 ponto percentual. Isso ocorreu porque, em agosto, a conta de luz havia caído 6,25%, beneficiada pelo bônus, que consiste na distribuição do saldo positivo da conta de comercialização da hidrelétrica estatal em forma de crédito nas contas de energia. Sem esse desconto em setembro, a conta de luz “normal” foi comparada a uma base mais baixa, ampliando a variação mensal — um efeito já esperado pelo IBGE e por analistas do mercado.


No grupo Transportes, que subiu 0,60%, o resultado foi influenciado pelas passagens aéreas, com alta de quase 10% (9,82%). Os combustíveis ficaram 0,22% mais caros no conjunto, com destaque para o gás veicular (1,56%) e a gasolina (0,30%), enquanto o óleo diesel (-0,78%) e o etanol (-0,22%) recuaram.


Tomate sobe mais de 20% e puxa alimentação no domícílio

O grupo Alimentação e bebidas teve alta de 0,40% em setembro, com o subgrupo de alimentação no domícílio subindo 0,38%, após deflação de 0,97% em agosto. Entre os itens pesquisados pelo IBGE, o tomate liderou as altas, com avanço de 20,76%, seguido pelo arroz (2,39%) e pelas carnes (1,30%). Na direção oposta, o feijão carioca recuou 6,33%, a cebola caiu 4,41% e o café moído teve queda de 1,36%. Ao todo, nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE tiveram alta em setembro: além de Habitação, Transportes e Alimentação e bebidas, subiram também Despesas pessoais (0,96%), Artigos de residência (0,55%), Comunicação (0,54%), Vestuário (0,41%), Saúde e cuidados pessoais (0,13%) e Educação (0,03%).


O IPCA-15 usa basicamente a mesma metodologia do IPCA, a inflação oficial que serve de base para a política de meta do governo, fixada em 3% ao ano com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. A diferença está no período de coleta de preços, feito e divulgado antes do fim do mês de referência, e na abrangência geográfica, menor que a do índice cheio. O IPCA de setembro, versão oficial e definitiva, será divulgado pelo IBGE em 9 de outubro.


O boletim Focus da última segunda-feira (21), pesquisa do Banco Central com instituições do mercado financeiro, sinalizava expectativa de inflação de 0,52% para setembro. O resultado divulgado pelo IBGE ficou bem acima dessa projeção.


Análise: O salto do IPCA-15 em setembro tem, em boa parte, uma explicação técnica e pontual: a comparação com uma conta de luz artificialmente mais barata em agosto, por causa do bônus de Itaipu, infla ​a variação mensal sem que isso reflita necessariamente uma piora estrutural de preços. Ainda assim, o dado preocupa por dois motivos. Primeiro, porque o resultado veio muito acima do topo das projeções de mercado, o que sugere que analistas ainda têm dificuldade de calibrar o tamanho de efeitos como esse. Segundo, e mais relevante, porque o acumulado em 12 meses já encosta no teto da meta de inflação, de 4,5%, deixando pouquíssima margem para novas surpresas nos próximos meses. Itens sensíveis ao bolso do consumidor, como passagens aéreas e tomate, também tiveram altas expressivas, o que tende a manter a percepção de carestia mesmo que o número cheio seja parcialmente explicado por um efeito de base. Para o Banco Central, que se reúne em novembro, o cenário reduz o espaço para qualquer sinalização mais suave sobre o rumo dos juros.


Fonte: Agência Brasil

 
 
 

Comentários


bottom of page