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Prévia da inflação de maio cai para 0,62%, puxada por alimentação; gasolina recua

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    Kentidjern Herman
  • 27 de mai.
  • 3 min de leitura

ECONOMIA • 27 de maio de 2026

Prévia da inflação de maio cai para 0,62%, puxada por alimentação; gasolina recua

Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

A prévia da inflação de maio, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), registrou variação de 0,62% no mês, uma redução de 0,27 ponto percentual em relação ao resultado de abril, quando o índice havia marcado 0,89%. O dado foi divulgado nesta quarta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No acumulado do ano, o índice soma 3,02%, enquanto nos últimos 12 meses o resultado é de 4,64%.

A alta de 1,38% no grupo de Alimentação e Bebidas foi o principal fator de pressão sobre o índice. Já o grupo de Transportes registrou queda de 0,33%, com gasolina caindo 1,32% e etanol recuando 2,73%.

Alimentação pressiona; combustíveis aliviam o índice

O grupo de Alimentação e Bebidas foi o principal vilao da prévia da inflação de maio, com alta de 1,38%. O encarecimento de alimentos afeta diretamente o orçamento das famílias brasileiras, especialmente as de menor renda, que comprometem uma fatia maior de seus ganhos com gastos em supermercados e feiras livres. O grupo é historicamente um dos mais voláteis do índice e tende a responder a variações climáticas, logísticas e de oferta.

O grupo de Habitação também registrou pressão, com alta de 1,03%. O resultado foi influenciado pela ativação da Bandeira Amarela na conta de energia elétrica, que entrou em vigor em maio. A tarifa extra nessa modalidade equivale a R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos, representando um custo adicional para consumidores residenciais, comerciais e industriais.

Em sentido contrário, o grupo de Transportes recuou 0,33% e contribuiu para segurar a alta do índice. Dentro desse grupo, a gasolina caiu 1,32% e o etanol recuou 2,73%, aliviando os gastos com combustíveis para os consumidores. A queda nos preços dos combustíveis é um elemento benefífico tanto para as famílias quanto para o setor produtivo, que depende do transporte rodoviário para escoamento de mercadorias.

O IPCA-15 é calculado com base em preços coletados em período específico, entre 16 de abril e 15 de maio de 2026, abrangendo regiões metropolitanas e municípios selecionados de todo o Brasil. O índice serve como um termometro antecipado para o IPCA cheio, que é a medida oficial da inflação no país e utilizada como referência pelo Sistema de Metas de Inflação do Banco Central do Brasil.

Com o acumulado em 12 meses de 4,64%, a inflação brasileira segue próxima ao teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O resultado acumulado no ano de 3,02% indica que, se o ritmo atual for mantido, o índice pode terminar 2026 dentro do intervalo de tolerância, mas ainda acima do centro da meta. O Banco Central monitora os dados de perto para definir os próximos passos da política monetária.

A desaceleração da prévia da inflação em maio, ainda que influenciada pela alta dos alimentos e da energia, traz algum alívio para o cenário econômico. A queda dos combustíveis foi um fator importante para evitar uma alta maior no período. Os dados definitivos do IPCA de maio serão divulgados pelo IBGE na próxima semana, permitindo uma leitura mais completa da dinâmica de preços no Brasil.

A queda do IPCA-15 em relação a abril é um sinal positivo, mas a pressão persistente do grupo de Alimentação e Bebidas merece atenção. Historicamente, os aumentos de alimentos são mais difíceis de reverter no curto prazo e impactam diretamente a população mais vulnerável. A ativação da Bandeira Amarela na energia elétrica adiciona mais uma camada de pressão estrutural sobre o orçamento das famílias. O cenário sugere que, embora a inflação esteja recuando, não há espaço para complacencia na política econômica: controlar os preços dos alimentos e garantir a modicidade tarifaria na energia elétrica continuam sendo prioridades para preservar o poder de compra dos brasileiros.

Fonte: Agência Brasil

 
 
 

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