PF apura se Lulinha e ex-chefe de gabinete de Lula ajudaram lobista a fechar contratos com o governo
- Kentidjern Herman
- há 16 horas
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POLÍTICA BRASIL • 20 de agosto de 2026
PF apura se Lulinha e ex-chefe de gabinete de Lula ajudaram lobista a fechar contratos com o governo

Roberta Luchsinger, Fábio Luís Lula da Silva e Marco Aurélio Santana Ribeiro / Foto: Montagem CNN Brasil
A Polícia Federal investiga se a atuação da empresária Roberta Luchsinger, em conjunto com o ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, e com o filho mais velho do petista, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, ajudou o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", a firmar contratos com o governo federal.
Uma das linhas de apuração da corporação é a suspeita de que o grupo teria articulado a compra de medicamentos à base de cannabis sem processo de licitação. Investigadores encontraram uma conversa em que Marco Aurélio recebe de Luchsinger a minuta de um contrato dessa natureza destinado ao Ministério da Saúde.
A Polícia Federal apura se o grupo articulou a aquisição de remédios à base de cannabis sem licitação, por meio de contrato negociado com o Ministério da Saúde.
Joias e viagens sob suspeita
A investigação também aponta que Luchsinger comprou joias de diamante avaliadas em R$ 9,2 mil para Ribeiro. O episódio é um dos elementos analisados em um dos três inquéritos abertos no Supremo Tribunal Federal que têm Lulinha como um dos alvos, todos voltados à apuração de possíveis crimes de corrupção e tráfico de influência.
O nome do filho do presidente entrou na investigação depois que veio à tona uma viagem a Portugal feita ao lado de Antunes, que teria sido paga pelo lobista. Lulinha alegou que a viagem teve como objetivo avaliar negócios ligados à cannabis medicinal.
Há ainda uma terceira frente de apuração: a Polícia Federal quer saber se Lulinha atuou para beneficiar, junto à estatal Dataprev, a empresa de tecnologia 3Structure IT Ltda., que mantém contratos de R$ 55,7 milhões com o governo federal. Segundo a investigação, um empresário do setor de tecnologia ligado à Dataprev pode ter atuado em conjunto com Antunes e Luchsinger para tentar viabilizar esses negócios em troca de apoio do filho do presidente junto a órgãos subordinados ao pai.
Marcola, por sua vez, afirma que os R$ 220 mil recebidos de Luchsinger foram um empréstimo, já quitado, e nega qualquer contrapartida em favor da empresária dentro do governo. A defesa de Lulinha classificou a divulgação do conteúdo das mensagens como violação de sigilo funcional e sustenta que os trechos publicados foram usados de forma seletiva, sem provas de irregularidade por parte do filho do presidente.
O caso reacende, a menos de dois meses do início oficial da propaganda eleitoral, o desgaste em torno do entorno de Lula às vésperas de uma campanha de reeleição. Aliados do presidente reconhecem, nos bastidores, que episódios como esse dificultam a estratégia de manter o foco da disputa nas fragilidades do principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ele próprio alvo de investigações relacionadas ao ex-banco Master.
Independentemente do resultado das apurações, o caso ilustra como redes de influência informais em torno de familiares e ex-assessores de autoridades seguem sendo um ponto sensível da política brasileira, especialmente em ano eleitoral, quando qualquer suspeita de tráfico de influência tende a ganhar peso desproporcional no debate público e a ser explorada por adversários políticos.
Fonte: CNN Brasil





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