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"Ninguém respeita lambe-botas": Lula defende soberania nacional no encontro com Trump

  • Foto do escritor: Kentidjern Herman
    Kentidjern Herman
  • há 11 horas
  • 3 min de leitura

POLÍTICA BRASIL • 08 de maio de 2026

"Ninguém respeita lambe-botas": Lula defende soberania nacional no encontro com Trump

Presidente Lula chega à Casa Branca para encontro com Trump

Foto: Ricardo Stuckert/PR / Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta sexta-feira (8) a postura soberana do Brasil nas relações internacionais ao comentar sobre o encontro bilateral com o presidente norte-americano Donald Trump, realizado na Casa Branca em Washington na véspera. Com firmeza e sem recuos, Lula deixou claro que o país está aberto ao diálogo, mas não abrirá mão do respeito mútuo. A declaração, feita durante evento de renovação de contratos de energia elétrica em 13 estados, rapidamente repercutiu no cenário político nacional e internacional.

Ninguém respeita quem não se respeita, ninguém respeita lambe-botas. Somos dois homens de 80 anos de idade. Dois homens de 80 anos de idade não brincam em serviço, a natureza é implacável. Por isso, nós temos que saber o que queremos fazer.

Abertura ao diálogo sem concessões à soberania

Ao fazer o balanço da reunião de cúpula com Trump, Lula afirmou ter dito ao líder norte-americano que não existe qualquer veto temático por parte do Brasil. Tudo pode ser discutido, desde que haja reciprocidade e respeito pela soberania brasileira. "Foi com essa franqueza que eu fui dizer ao presidente Trump. Quer discutir big techs? Vamos discutir as big techs. Quer discutir as suas plataformas? Vamos discutir. Quer discutir crime organizado? Nossa Polícia Federal está preparada para combater o crime organizado aqui e lá fora. Não tem veto para discutir", declarou o presidente.

Lula também utilizou um argumento inusitado, mas contundente, para justificar a objetividade nas negociações: a idade avançada de ambos os presidentes. Com 80 anos, Lula e Trump, segundo o presidente brasileiro, não têm tempo a perder com manobras diplomáticas vazias. "A natureza é implacável, teoricamente nós temos menos tempo pela frente. Por isso, nós temos que saber o que queremos fazer. É dessa forma que a gente vai ganhando a respeitabilidade", afirmou.

Ao reafirmar a posição do Brasil no cenário internacional, Lula deixou claro que o país está disponível para fazer negócios com qualquer nação, sem distinção ideológica, desde que a soberania brasileira seja respeitada. O presidente citou explicitamente grandes potências globais em sua declaração. "Nós não temos veto aos EUA, não temos veto à China, não temos veto à Rússia, não temos veto à França, não temos veto ao México, não temos veto à Alemanha. Quem quiser fazer negócio com o Brasil, que venha. Estaremos de braços abertos para comprar e para vender, estaremos de braços abertos para fazer transferência de tecnologia e receber tecnologia nova", afirmou.

No campo comercial, o encontro com Trump também produziu um compromisso concreto. Lula reafirmou o prazo de 30 dias determinado para que as equipes dos dois governos elaborem uma proposta para resolver o impasse sobre tarifas de exportação e uma investigação comercial aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil. O tema das tarifas tem sido um ponto sensível nas relações bilaterais e o governo brasileiro espera avançar nessa frente em curto prazo, buscando reduzir os impactos negativos ao comércio exterior.

Por sua vez, o presidente norte-americano Donald Trump também se manifestou sobre o encontro por meio de suas redes sociais. Trump afirmou ter discutido "muitos tópicos" com Lula, incluindo questões comerciais e de tarifas, e classificou o presidente brasileiro como "um presidente muito dinâmico". A avaliação positiva de Trump indica que o clima das conversações foi de cordialidade, ainda que os desafios comerciais permaneçam no horizonte das relações bilaterais.

A declaração de Lula vai além de uma resposta diplomática pontual ao encontro com Trump. Ao invocar a autoestima nacional e rejeitar qualquer postura de subserviência, o presidente sinaliza que o Brasil busca se reposicionar no tabuleiro geopolítico global como um parceiro confiável, mas autônomo. O prazo de 30 dias para uma proposta sobre tarifas revela que, apesar do tom amistoso da reunião, as negociações comerciais seguem em terreno sensível. A capacidade de Lula em manter o tom respeitoso sem recuar em questões estruturais será o verdadeiro teste da consistência dessa nova fase da diplomacia brasileira com os Estados Unidos.

Fonte: Agência Brasil

 
 
 

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