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Mercado financeiro reduz previsão da inflação para 5% este ano

Foto do escritor: Kentidjern Herman
Kentidjern Herman
há 3 dias
3 min de leitura

ECONOMIA • 9 de setembro de 2026

Mercado financeiro reduz previsão da inflação para 5% este ano

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A previsão do mercado financeiro para a inflação oficial do país recuou de 5,01% para 5% este ano, segundo o Boletim Focus divulgado nesta terça-feira (8) pelo Banco Central. A pesquisa, publicada semanalmente pela autoridade monetária, reúne as expectativas de instituições financeiras para os principais indicadores da economia brasileira.

Mesmo com a leve redução, a projeção do IPCA para este ano segue acima do teto da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 4,5%.

Inflação ainda acima da meta, mas em trajetória de queda

Inflação ainda acima da meta, mas em trajetória de queda

A meta de inflação perseguida pelo Banco Central é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Isso significa que o limite inferior é de 1,5% e o superior, de 4,5%. Com a projeção atual de 5%, o mercado financeiro ainda espera que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência oficial da inflação no país, termine o ano fora desse intervalo.

Ainda assim, os números mais recentes mostram uma trajetória de desaceleração. Em julho, os alimentos ficaram mais baratos e contribuíram para que a inflação oficial perdesse força pelo quarto mês seguido, fechando o mês em 0,07%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado fez o IPCA acumular 4,44% em 12 meses, valor que, isoladamente, já estaria dentro da meta perseguida pelo governo. A inflação de agosto será divulgada na próxima sexta-feira (11) pelo IBGE. Para os anos seguintes, as projeções do Focus indicam inflação de 4,29% em 2027, 3,8% em 2028 e 3,5% em 2029.

Selic segue como principal instrumento de controle

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central utiliza como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, atualmente definida em 14% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Na última reunião do colegiado, em agosto, os juros foram reduzidos em 0,25 ponto percentual, na quarta queda consecutiva. Entre junho de 2025 e março deste ano, a Selic havia permanecido em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas, antes de o Copom retomar os cortes em um cenário de inflação em queda. A guerra no Oriente Médio, que pressionou os preços de combustíveis e alimentos, tem dificultado uma queda mais acelerada da taxa.

O próximo encontro do Copom para definir os rumos da Selic será nos dias 15 e 16 de setembro. Segundo o Focus desta semana, a expectativa dos analistas de mercado é de que a taxa básica termine 2026 em 13,75% ao ano. Para 2027 e 2028, a previsão é de novas quedas, para 12% e 10,5% ao ano, respectivamente, chegando a 10% ao ano em 2029.

PIB e câmbio têm pequenos ajustes na projeção

PIB e câmbio têm pequenos ajustes na projeção

Nesta edição do boletim, a estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira em 2026 subiu de 1,92% para 1,93%. Para 2027, a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) permanece em 1,5%, enquanto para 2028 e 2029 o mercado estima expansão de 1,96% e 2%, respectivamente. No segundo trimestre deste ano, a economia brasileira cresceu 0,5% em relação ao primeiro trimestre, acumulando alta de 1,9% em 12 meses, segundo o IBGE. Em 2025, o país havia registrado crescimento de 2,3%, com destaque para a agropecuária, no quinto ano seguido de expansão.

Em relação ao câmbio, o Focus desta semana projeta o dólar em R$ 5,20 para o fim deste ano, com nova alta prevista para R$ 5,30 ao final de 2027.

Análise: A leve redução na projeção de inflação para 5% confirma uma tendência gradual de desaceleração dos preços ao longo de 2026, puxada principalmente pela queda nos custos de alimentos observada nos últimos meses. Ainda assim, a persistência da projeção acima do teto da meta mostra que o Banco Central segue em uma posição delicada: precisa equilibrar a necessidade de manter os juros altos o suficiente para ancorar as expectativas de inflação, sem sufocar demais o crescimento econômico, que já mostra sinais de desaceleração em relação aos anos anteriores. O cenário externo, marcado pela guerra no Oriente Médio e sua pressão sobre os preços de combustíveis, adiciona um fator de incerteza que pode limitar a velocidade dos próximos cortes na Selic. A reunião do Copom nos dias 15 e 16 de setembro será um termômetro importante para saber se o Banco Central mantém o ritmo gradual de redução dos juros observado nas últimas quatro reuniões, ou se a piora do cenário internacional leva a uma pausa nesse processo.

Fonte: Agência Brasil

 
 
 

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