Lula Afirma que "Ninguém Respeita Lambe-Botas" e Defende Soberania do Brasil em Encontro com Trump
- Kentidjern Herman
- 11 de mai.
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POLÍTICA BRASIL • 11 de maio de 2026
Lula Afirma que "Ninguém Respeita Lambe-Botas" e Defende Soberania do Brasil em Encontro com Trump

Foto: Ricardo Stuckert / Presidência da República
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou ao tema na última sexta-feira (8 de maio): o encontro bilateral com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizado na véspera na Casa Branca, em Washington. Em discurso durante evento de renovação de contratos de energia elétrica em 13 estados, Lula revelou os bastidores da conversa e deixou clara a postura com que o Brasil se posiciona nas negociações internacionais — soberania acima de qualquer alinhamento automático.
"Ninguém respeita quem não se respeita, ninguém respeita lambe-botas" — uma declaração de Lula ao relatar sua conversa com Trump que sintetiza a filosofia diplomática do governo brasileiro no atual cenário geopolítico.
Diálogo Franco e Prazo de 30 Dias para Resolver Disputas Comerciais
Na conversa com Trump, Lula afirmou ter deixado explícito que o Brasil não veta nenhum assunto na pauta bilateral. Tecnologia, plataformas digitais, crime organizado, comércio — tudo pode ser debatido. O presidente revelou ter dito diretamente ao norte-americano: "Quer discutir big techs? Vamos discutir. Quer discutir crime organizado? Nossa Polícia Federal está preparada para combater o crime organizado aqui e lá fora. Não tem veto para discutir." A afirmação reforça a postura de abertura que o Palácio do Planalto tem adotado com parceiros internacionais, independentemente de alinhamentos ideológicos.
A reunião na Casa Branca foi o primeiro encontro presencial entre Lula e Trump desde que o republicano retomou o comando dos Estados Unidos. Segundo relatos de ambos os lados, o encontro transcorreu em clima de respeito mútuo. Em postagem nas redes sociais, Trump afirmou ter discutido "muitos tópicos" com o presidente brasileiro, incluindo questões comerciais e de tarifas, e chamou Lula de "um presidente muito dinâmico".
Um dos resultados concretos da reunião foi a definição de um prazo de 30 dias para as equipes dos dois governos apresentarem uma proposta que equacione o impasse comercial bilateral — envolvendo tarifas de exportação e uma investigação comercial aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil desde 2025. A determinação partiu dos dois presidentes conjuntamente e é vista como o principal avanço prático do encontro.
Ao abordar a relação do Brasil com outras nações, Lula reforçou a postura multilateral do governo: "Nós não temos veto aos EUA, não temos veto à China, não temos veto à Rússia, não temos veto à França, não temos veto ao México, não temos veto à Alemanha. Quem quiser fazer negócio com o Brasil, que venha. Estaremos de braços abertos para comprar e para vender, estaremos de braços abertos para fazer transferência de tecnologia e receber tecnologia nova." A declaração ecoa o princípio central da política externa do governo Lula: o de não alinhamento automático a nenhuma potência.
Lula também chamou atenção para a dimensão humana da relação entre os dois líderes. "Somos dois homens de 80 anos de idade. E dois homens de 80 anos de idade não brincam em serviço, a natureza é implacável, teoricamente nós temos menos tempo pela frente. Por isso, nós temos que saber o que queremos fazer", disse o presidente. A declaração evidencia um tom de urgência prática que permeou todo o encontro e aponta para uma relação que, apesar das diferenças políticas, busca construir pontes baseadas no pragmatismo.
O encontro entre Lula e Trump ocorre em um momento delicado para as relações Brasil-EUA. As tarifas impostas por Washington sobre produtos brasileiros e a investigação comercial iniciada em 2025 criaram tensões que precisam ser resolvidas antes que impactem ainda mais o fluxo comercial bilateral. A disposição demonstrada em Washington — com prazos definidos e compromisso de diálogo — indica que tanto o governo brasileiro quanto o norte-americano preferem o caminho das negociações ao da escalada tarifária.
A postura de Lula de ir a Washington sem abrir mão da soberania nacional é, ao mesmo tempo, pragmática e assertiva. O Brasil quer comércio, quer tecnologia, quer parcerias — mas exige ser tratado como igual. A frase "ninguém respeita lambe-botas" não é apenas retórica: é a declaração pública de que o país não vai se curvar diante de pressões externas, sejam elas tarifárias, políticas ou diplomáticas. O prazo de 30 dias estabelecido para as equipes será o verdadeiro teste dessa postura soberana frente aos interesses norte-americanos.
Fonte: Agência Brasil





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