IPCA de Abril Fecha em 0,67% com Desaceleração, mas Alimentos Seguem Pressionando a Inflação Oficial
- Kentidjern Herman
- 12 de mai.
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ECONOMIA • 12 de maio de 2026
IPCA de Abril Fecha em 0,67% com Desaceleração, mas Alimentos Seguem Pressionando a Inflação Oficial

Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça-feira (12) os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril de 2026. O índice oficial de inflação do país registrou alta de 0,67% no mês, uma desaceleração de 0,21 ponto percentual em relação a março, quando o índice ficara em 0,88%. Com esse resultado, o IPCA acumula alta de 4,39% nos últimos 12 meses — dentro do limite de tolerância da meta do governo, que aceita até 4,5% — e de 2,60% no ano de 2026.
Alguns alimentos, de forma geral, apresentam uma restrição de oferta, o que provoca um aumento no nível de preços. No caso do leite, com a chegada do clima mais seco, sazonal no período, há redução de pasto, necessitando da inclusão de ração para os animais, o que eleva os custos. — José Fernando Gonçalves, gerente do IBGE
Alimentação puxa o índice pelo segundo mês consecutivo
O grupo Alimentação e Bebidas foi, mais uma vez, o principal responsável pela pressão sobre a inflação em abril. Com alta de 1,34%, o grupo respondeu por 0,29 ponto percentual do resultado total do IPCA. A alimentação no domicílio — o que os brasileiros gastam nos supermercados — subiu 1,64%, com os maiores destaques sendo a cenoura (+26,63%), o leite longa vida (+13,66%), a cebola (+11,76%), o tomate (+6,13%) e as carnes (+1,59%). No acumulado do primeiro quadrimestre de 2026, o grupo Alimentação e Bebidas soma alta de 3,44%.
Dos nove grupos de bens e serviços pesquisados pelo IBGE, todos registraram variação positiva em abril de 2026. O segundo grupo com maior impacto foi o de Saúde e Cuidados Pessoais, com alta de 1,16%. Na outra ponta, Educação e Transportes foram os grupos com as menores variações do mês, ambos com apenas 0,06% de alta.
O IBGE divulgou também, na mesma data, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), o indexador amplamente utilizado para corrigir salários de diversas categorias profissionais ao longo do ano. Em abril, o INPC ficou em 0,81%, e o acumulado de 12 meses soma 4,11%. A diferença entre os dois índices está na faixa de renda das famílias pesquisadas: o INPC mede a inflação para famílias com renda de um a cinco salários mínimos, enquanto o IPCA abrange lares com renda de até 40 salários mínimos. Por essa razão, o peso dos alimentos no INPC é maior — cerca de 25% — do que no IPCA — aproximadamente 21% —, uma vez que famílias de menor renda comprometem proporcionalmente mais da renda com alimentação.
A coleta dos dados do IPCA é realizada em dez regiões metropolitanas do país, além de municípios como Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e Brasília. O salário mínimo vigente, de R$ 1.621, serve de referência para os cálculos, e o reajuste de benefícios como o seguro-desemprego e o teto do INSS leva em conta o INPC acumulado até dezembro de cada ano.
Apesar da desaceleração, a inflação de alimentos segue como o principal desafio para o poder de compra das famílias brasileiras, sobretudo as de menor renda. O fato de o IPCA acumulado em 12 meses (4,39%) se aproximar do teto da meta governamental (4,5%) mantém o Banco Central em estado de atenção, e o dado será levado em conta nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) na definição da taxa Selic. O recuo do IPCA em abril é bem-vindo, mas a pressão persistente dos alimentos exige monitoramento constante nos próximos meses para que o país se mantenha dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação.
Fonte: Agência Brasil / IBGE





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