Indústria Brasileira Cresce 0,7% em Abril e Registra Quarto Mês Seguido de Avanço, Aponta IBGE
- Kentidjern Herman
- há 3 dias
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ECONOMIA • 3 de junho de 2026
Indústria Brasileira Cresce 0,7% em Abril e Registra Quarto Mês Seguido de Avanço, Aponta IBGE

Foto: CNI / José Paulo Lacerda / Direitos reservados
A produção industrial brasileira cresceu 0,7% em abril de 2026 em relação a março, na série com ajuste sazonal, marcando o quarto mês consecutivo de alta e acumulando 4,4% de avanço neste período. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada nesta quarta-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e reforçam a trajetória de recuperação do setor no país.
"Nestas atividades, as pressões positivas mais relevantes vieram de óleos brutos de petróleo, gás natural e minério de ferro, no caso do setor extrativo, e de álcool etílico e dos derivados do petróleo, especialmente o óleo diesel, para a atividade dos derivados do petróleo e biocombustíveis", explicou André Macedo, gerente da PIM no IBGE.
O que puxou o crescimento
Na passagem de março para abril de 2026, duas das quatro grandes categorias econômicas e 14 dos 25 ramos industriais pesquisados avançaram na produção. As influências mais significativas vieram das indústrias extrativas (+3,1%) e de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (+3,1%), ambas crescendo pelo quinto mês consecutivo. Outras contribuições positivas vieram de produtos de borracha e material plástico (+3,1%), produtos de madeira (+8,5%), produtos têxteis (+4,1%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (+2,2%).
Por outro lado, entre os 11 segmentos que recuaram na produção, produtos químicos (-3,9%) exerceu a principal influência negativa. Também pesaram os resultados de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-6,0%), máquinas e equipamentos (-2,9%), veículos automotores, reboques e carrocerias (-0,7%) e metalurgia (-1,0%). O desempenho desigual entre os setores revela que a recuperação industrial ainda não é uniforme em toda a cadeia produtiva.
No acumulado dos quatro primeiros meses de 2026, a indústria registra alta de 1,7% frente ao mesmo período do ano anterior. Com o resultado de abril, o setor fica 4,7% acima do patamar pré-pandemia de fevereiro de 2020. Entretanto, ainda há um distanciamento considerável do nível recorde: a produção atual está 12,9% abaixo do pico histórico registrado em maio de 2011, indicando que há espaço relevante para crescimento futuro.
A seqüência de quatro meses positivos reforça a percepção de que a indústria brasileira está em trajetória de recuperação consistente, ainda que gradual. Os setores extrativo e de biocombustíveis têm sido motores relevantes desse movimento, beneficiados pelo cenário de demanda externa aquecida por minério de ferro e petróleo. Os próximos dados da PIM serão fundamentais para avaliar se o ritmo se mantém no segundo trimestre ou se há desaceleração diante das incertezas do cenário global.
O resultado positivo da indústria por quatro meses seguidos é um sinal encorajador para a economia brasileira em ano eleitoral. Para o governo Lula, que enfrenta pressões inflacionárias e taxa de juros ainda elevada, os dados do IBGE chegam como uma notícia bem-vinda. No entanto, a assimetria entre os setores — com queda em farmacêuticos, químicos e máquinas — sugere que a retomada ainda depende de condições de crédito mais favoráveis e de uma agenda de investimentos que sustente o crescimento além do setor de commodities. O desafio é transformar essa recuperação setorial em avanço amplo e duradouro para toda a base industrial do país.
Fonte: Agência Brasil





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