Governo Lança PNDBio com R$ 350 Milhões para Transformar a Biodiversidade em Motor da Economia Nacional
- Kentidjern Herman
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POLÍTICA BRASIL • 2 de abril de 2026
Governo Lança PNDBio com R$ 350 Milhões para Transformar a Biodiversidade em Motor da Economia Nacional

Foto: Ricardo Stuckert / Agência Gov
O governo federal deu um passo histórico na transformação do modelo de desenvolvimento econômico do Brasil. Na quarta-feira (1º de abril), em cerimônia realizada na sede do Ibama, em Brasília, foi lançado o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia — o PNDBio —, marco inédito que posiciona a megabiodiversidade brasileira como principal vetor de crescimento sustentável para a próxima década. Com aporte inicial de R$ 350 milhões do Fundo Amazônia, o plano define oito missões, 21 metas e mais de 185 ações estratégicas para integrar produção, inovação, conservação e inclusão social.
A bioeconomia que estamos construindo hoje é uma para todos — o extrativista, o indígena, a indústria de cosméticos, o setor de fármacos. É uma economia que abre caminho para um novo ciclo de prosperidade. — Marina Silva, ministra do Meio Ambiente
Três Eixos, 185 Ações e Metas Ambiciosas até 2035
O PNDBio está organizado em três grandes eixos: Sociobioeconomia e Ativos Ambientais, Bioindustrialização Competitiva e Produção Sustentável de Biomassa. Cada frente possui metas concretas e prazos definidos. No primeiro eixo, o plano prevê apoio a 6 mil negócios comunitários da sociobioeconomia, a duplicação do valor bruto da produção da sociobiodiversidade e a concessão de pagamento por serviços ambientais a 300 mil beneficiários até 2035. O plano também estabelece a recuperação de 2,3 milhões de hectares de vegetação nativa integrados às cadeias produtivas e a concessão de 60 Unidades de Conservação voltadas ao ecoturismo sustentável.
No eixo de bioindustrialização, o destaque vai para o setor de saúde e bem-estar. O PNDBio define como meta elevar a participação de fitoterápicos fabricados no Brasil de 0,5% para pelo menos 5% do faturamento total da indústria farmacêutica nacional até 2035, com a incorporação de 15 novos fitoterápicos ao Sistema Único de Saúde. No campo dos biocombustíveis, o plano projeta ampliar a produção nacional em 70%, alcançando cerca de 76 bilhões de litros por ano, consolidando o Brasil como referência global em etanol, biodiesel, biometano e combustível sustentável de aviação. Para a biomassa, a meta é expandir a produtividade 20% acima das projeções atuais com apoio à recuperação de 12,5 milhões de hectares de áreas degradadas.
Fundo Amazônia e Construção Participativa
O lançamento do PNDBio contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin e da ministra Marina Silva. Alckmin ressaltou que a bioeconomia é instrumento de combate às mudanças climáticas, com foco na prevenção do desmatamento como ação central. O aporte de R$ 350 milhões do Fundo Amazônia será destinado ao fortalecimento da sociobioeconomia e da inovação na região amazônica, beneficiando ao menos 60 cooperativas e mais de 5 mil famílias por meio de programas como o Coopera+ Amazônia, com R$ 107 milhões, o projeto Cooperar com a Floresta, com R$ 69 milhões, e o programa Desafios da Amazônia, com R$ 181,3 milhões.
A elaboração do plano durou dois anos e envolveu 16 ministérios, organizações da sociedade civil, academia e setor privado, incluindo Embrapa, Sebrae e CNI, reunindo mais de 900 contribuições em consulta pública. A versão final foi aprovada pela Comissão Nacional de Bioeconomia em 5 de março de 2026. O presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, destacou que o Brasil — com cerca de 60% do território coberto por vegetação nativa — precisa valorizar esse ativo estratégico de forma econômica e social, gerando renda sem destruir o que protege sua vantagem competitiva diante do restante do mundo.
O PNDBio representa um passo concreto na direção de um modelo econômico que busca romper com a dependência histórica das commodities tradicionais. Ao articular políticas industriais, ambientais e de financiamento em torno da biodiversidade, o governo tenta criar um ciclo virtuoso que distribua renda para territórios historicamente marginalizados — como comunidades indígenas, extrativistas e agricultores familiares — ao mesmo tempo em que posiciona o Brasil como protagonista global nas chamadas cadeias verdes. O desafio agora é a implementação: transformar metas ambiciosas em ações concretas, especialmente em um ano eleitoral, exige coordenação entre 16 ministérios e articulação com os estados. O monitoramento público dos indicadores será fundamental para que o plano não se torne mais uma peça retórica na prateleira das políticas ambientais brasileiras.
Fonte: Agência Gov / Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima





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