Focus reduz IPCA para 5,16% pela segunda semana seguida; Selic está em 14,25% e próximo corte vem em agosto
- Kentidjern Herman
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ECONOMIA • 15 de julho de 2026
Focus reduz IPCA para 5,16% pela segunda semana seguida; Selic está em 14,25% e próximo corte vem em agosto
Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil
O mercado financeiro reduziu pela segunda semana consecutiva a projeção para a inflação oficial do Brasil em 2026. Segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (13), a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu de 5,30% para 5,16% ao longo do ano. O recuo sinaliza que a pressão inflacionária — que havia se intensificado ao longo de 14 semanas consecutivas de alta até junho, impulsionada pelos efeitos econômicos da guerra no Oriente Médio — começa a dar sinais concretos de arrefecimento. O quadro ainda é desafiador, mas a tendência começa a se inverter.
A Selic atual é de 14,25% ao ano, taxa definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central na reunião de 17 de junho. Essa foi a terceira redução no ciclo atual de cortes iniciado em 2026, após a taxa ter permanecido em 15% ao ano de junho de 2025 a março de 2026 — o nível mais alto desde julho de 2006. A trajetória ascendente da Selic havia sido desencadeada em setembro de 2024 e se prolongou por sete elevações consecutivas. Agora, com a inflação começando a ceder, o Banco Central retomou o caminho dos cortes.
Pela segunda semana consecutiva, o mercado financeiro reduz a expectativa de inflação no Brasil em 2026. Segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central, o IPCA projetado para o ano caiu para 5,16%. Na semana passada, o mercado projetava uma inflação ligeiramente maior, de 5,30%. — Agência Brasil, 13 de julho de 2026
Projeções estáveis e próximo corte em agosto
As demais projeções do Focus para 2026 ficaram estáveis. O mercado projeta crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,99% pelo segundo mês seguido, e o dólar deve fechar o ano cotado a R$ 5,20. Para a Selic, a estimativa permanece em 14% ao fim de 2026 pela terceira semana consecutiva, o que indica que o mercado espéra pelo menos mais um corte de 0,25 ponto percentual. A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 4 e 5 de agosto. Para 2027 e 2028, as projeções de Selic apontam para 12% e 10,5% ao ano, respectivamente, confirmando a expectativa de um ciclo gradual e controlado de afrouxamento monetário.
Os dados de inflação de junho reforçam o otimismo do mercado. O IPCA de junho fechou em apenas 0,16% — o menor resultado mensal desde outubro de 2025 e o quarto mês consecutivo de desaceleração. O principal fator foi a primeira queda nos preços dos alimentos desde novembro de 2025. Em 12 meses, o IPCA acumula 4,64%, ainda acima do teto da meta de inflação de 4,5%, mas já abaixo dos 4,72% registrados até maio. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), utilizado como base para reajustes salariais, acumula 4,33% em 12 meses.
A redução da projeção de IPCA pelo segundo Focus consecutivo é um sinal relevante de que o pior do choque inflacionário gerado pela guerra no Oriente Médio pode ter ficado para trás. A desaceleração nos preços internacionais do petróleo, a estabilização do dólar e a queda nos preços de alimentos apontam para um ambiente mais favorável nos próximos meses. O Banco Central, contudo, mantém cautela: o IPCA ainda está acima do teto da meta contínua de 4,5%, e qualquer reacelerção nos preços globais pode reverter a tendência rapidamente. A reunião do Copom em agosto será o próximo teste: se o cenário se mantiver, um novo corte de 0,25 ponto deve levar a Selic a 14% — avanço importante, mas ainda distante do nível neutro de juros que estimularia de forma sustentável a atividade econômica brasileira.
Fonte: Agência Brasil / Banco Central do Brasil





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