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Flávio Bolsonaro aceita abrir sigilos dos últimos 20 anos, mas condiciona o gesto à ampliação do pedido de Lula e leva o impasse ao TSE

Foto do escritor: Kentidjern Herman
Kentidjern Herman
há 50 minutos
3 min de leitura

POLÍTICA BRASIL • 22 de outubro de 2026

Flávio Bolsonaro aceita abrir sigilos dos últimos 20 anos, mas condiciona o gesto à ampliação do pedido de Lula e leva o impasse ao TSE

Foto: Joédson Alves / Agência Brasil


O senador Flávio Bolsonaro (PL) informou nesta quarta-feira (21) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que autoriza o levantamento de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 20 anos. A autorização vem com uma condição: que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) amplie o alcance do levantamento dos próprios sigilos. A manifestação chegou à Corte a quatro dias do segundo turno, marcado para domingo (25), e abre um novo capítulo na disputa sobre transparência patrimonial entre os dois candidatos.


Flávio Bolsonaro autoriza a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 20 anos, desde que Lula amplie o alcance do levantamento dos seus.

As condições apresentadas pelo candidato do PL

Para divulgar suas informações financeiras, Flávio quer que Lula também torne públicos os dados de Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete do presidente. O candidato pede ainda os registros de entrada da empresária Roberta Luchsinger no Palácio do Planalto e os sigilos de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão de Lula, entre outras exigências.


Em agenda de campanha por Guarulhos, em São Paulo, e por Fortaleza, no Ceará, Flávio detalhou que quer a quebra dos sigilos bancários e fiscais de assessores e de empresas ligadas aos filhos de Lula, além da liberação de informações sobre as despesas da Presidência da República, segundo a Radioagência Nacional.


Na petição, o senador classificou o requerimento de Lula como uma "verdadeira aberração jurídica". Na avaliação dele, o presidente poderia divulgar seus extratos sem enviar o caso ao TSE.


O desafio lançado por Lula

A troca começou no debate promovido pela TV Band no domingo (18), quando Lula desafiou Flávio a abrir as informações para o eleitor. Na terça-feira (20), o presidente enviou ao TSE um requerimento autorizando o levantamento de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, desde que o adversário fizesse o mesmo.


O documento de Lula abrange os últimos oito anos e inclui os sigilos da primeira-dama, Janja Lula da Silva, e dos cinco filhos do presidente: Lurian, Marcos Cláudio, Fábio Luís, Sandro Luís e Luís Claudio. O pedido se estende às pessoas jurídicas das quais os candidatos sejam sócios ou administradores. A peça lista apenas uma empresa ligada a Lula, a L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda., e cinco ligadas a Flávio, entre elas uma offshore.


Em contrapartida, Lula pede que Flávio autorize a abertura dos dados dele próprio, da esposa Fernanda, dos pais (o ex-presidente Jair Bolsonaro e a suplente de deputada federal Rogéria Bolsonaro) e dos irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan. O requerimento pedia que a divulgação ocorresse antes de quarta-feira (21), para que a população pudesse decidir o voto com mais informação.


A reação de Lula e o encaminhamento no TSE

Ainda na quarta-feira, a coordenação da campanha de Lula afirmou que o presidente aceita as condições impostas pelo adversário, contanto que Flávio também cumpra as exigências e abra tudo o que foi pedido junto ao TSE. Durante caminhada pelo centro de Belo Horizonte, Lula disse que Flávio está "trucando", em alusão ao jogo de cartas.


As petições dos dois candidatos foram encaminhadas ao ministro André Mendonça, relator do caso.


Análise: o episódio mostra que os dois lados aceitam a abertura de sigilos no discurso, mas cada um impõe exigências que ampliam o escopo do outro. O resultado, por ora, é um impasse jurídico e político em que a decisão sobre o que será divulgado passa a depender do relator, enquanto o calendário eleitoral corre. O prazo que o próprio Lula pedia, antes de quarta-feira (21), coincidiu justamente com o dia da contraproposta de Flávio. Para o eleitor, o saldo imediato é mais a troca de acusações do que informação concreta sobre patrimônio. A cada nova petição, o tema se afasta do que a população poderia efetivamente verificar antes de votar no domingo (25).


Fonte: Agência Brasil

 
 
 

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