Exportações do Brasil para os EUA Caem 14% em Maio Sob Impacto das Tarifas de Trump
- Kentidjern Herman
- 9 de jun.
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ECONOMIA • 9 de junho de 2026
Exportações do Brasil para os EUA Caem 14% em Maio Sob Impacto das Tarifas de Trump

Foto: Wilson Dias / Agência Brasil
As exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 14% em maio de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Os dados, divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) no início de junho, confirmam a tendência de retração das vendas ao mercado norte-americano que se instalou desde agosto de 2025, quando começaram a vigorar as tarifas impostas pelo governo Donald Trump sobre produtos importados do Brasil.
Tivemos a maior queda em outubro, de 35%. Em janeiro houve redução de 26%, e essa redução vem se arrefecendo ao longo dos meses: 20% em fevereiro, 10% em março, 10% em abril e 14% em maio. — Herlon Brandão, diretor da Secex/Mdic.
Números do comércio bilateral e a ascensão da China
Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que em maio as exportações para os EUA totalizaram US$ 3,09 bilhões, queda de 14% em relação a maio de 2025. Pelo lado das importações, os produtos norte-americanos que entraram no Brasil somaram US$ 3,21 bilhões, redução de 11%. O resultado gerou déficit comercial de US$ 121 milhões no mês. No acumulado de janeiro a maio, as exportações brasileiras para os EUA chegaram a US$ 14,01 bilhões, queda de 16%, enquanto as importações atingiram US$ 15,48 bilhões, queda de 12,6%.
A participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras também recuou de forma significativa. Em maio de 2025, o mercado norte-americano absorvia 12% do total exportado pelo Brasil. Em maio de 2026, esse percentual caiu para 9,7%, refletindo o redirecionamento do comércio exterior brasileiro para outros destinos. O diretor Herlon Brandão reconheceu a pressão das tarifas, mas ponderou que ainda é cedo para concluir que houve uma mudança estrutural na relação comercial entre os dois países.
Enquanto o comércio com os EUA encolhe, a China ampliou sua presença como principal destino das exportações brasileiras. Em maio, as vendas para o país asiático cresceram 9,5%, atingindo US$ 10,5 bilhões. As importações oriundas da China avançaram 24,2%, para US$ 6,8 bilhões, resultando em superávit comercial de US$ 3,7 bilhões no mês. No acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, as exportações ao mercado chinês cresceram 21,8%, para US$ 43,26 bilhões. A participação chinesa na pauta exportadora brasileira subiu de 32,1% para 32,9%.
O setor de petróleo e combustíveis também foi destaque nos dados de maio. O conflito no Oriente Médio elevou os preços internacionais e impulsionou o valor exportado pelo Brasil. As exportações de óleos combustíveis cresceram 75,2% em volume, e o valor exportado aumentou 49,8% no mês. No entanto, as exportações de petróleo bruto registraram queda de 9,3% em valor e retracção de 42,1% no volume embarcado. Segundo Brandão, o movimento é pontual e não está relacionado ao imposto de exportação criado pelo governo federal para o produto.
Apesar da queda nas exportações para os EUA, o desempenho geral da balança comercial brasileira permanece positivo. Nos cinco primeiros meses de 2026, o Brasil acumulou superávit comercial de US$ 32,66 bilhões, acima dos US$ 24,33 bilhões registrados no mesmo período de 2025. O resultado foi impulsionado principalmente pelo aumento das exportações para a China e pelo desempenho de produtos ligados ao setor de energia e commodities agrícolas como soja e café.
A queda das exportações ao mercado americano é um reflexo direto da política tarifária do governo Trump e evidencia a vulnerabilidade do comércio exterior brasileiro diante de decisões unilaterais de grandes parceiros. A boa notícia é que a redução no ritmo de queda — de 35% em outubro para 14% em maio — sugere uma adaptação gradual das cadeias produtivas e dos fluxos de exportação. A concentração crescente das exportações na China, entretanto, abre outro debate estratégico: a diversificação dos destinos das exportações brasileiras é uma necessidade urgente para reduzir a dependência de qualquer mercado específico e tornar o país menos vulnerável a choques externos.
Fonte: Agência Brasil





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