Ex-presidente José Sarney é internado no Sírio-Libanês para tratar pneumonia
POLÍTICA BRASIL • 25 de setembro de 2026
Ex-presidente José Sarney é internado no Sírio-Libanês para tratar pneumonia

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O ex-presidente da República José Sarney, de 96 anos, foi internado nesta quinta-feira (24) no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para tratar um quadro de pneumonia bacteriana. De acordo com boletim médico divulgado pela instituição, o político passa por avaliação clínica e dá continuidade a um tratamento que já vinha sendo conduzido em São Luís, no Maranhão. O boletim classifica o quadro de saúde do ex-presidente como estável.
O quadro clínico do ex-presidente é considerado estável, segundo boletim médico divulgado pelo Hospital Sírio-Libanês.
Segunda internação em menos de duas semanas
A ida ao hospital paulista não é a primeira etapa do tratamento contra a pneumonia bacteriana. Sarney já havia sido internado no dia 13 de setembro em São Luís, capital maranhense onde reside, e recebeu alta três dias depois, em 16 de setembro. A transferência para o Sírio-Libanês, em São Paulo, teve como objetivo ampliar a estrutura de acompanhamento clínico e dar sequência aos cuidados iniciados no Maranhão, conforme informou a equipe médica responsável pelo caso.
Os cuidados ao ex-presidente no hospital paulista são coordenados pelo médico Roberto Kalil Filho, cardiologista conhecido por acompanhar tratamentos de saúde de figuras públicas ao longo dos últimos anos. Até a divulgação do boletim, o hospital não havia informado previsão de alta nem detalhado a extensão do tratamento, restringindo-se a afirmar que o paciente segue sob avaliação e monitoramento contínuo da equipe médica.
Trajetória política marcada pela redemocratização
José Sarney ocupa lugar central na história política recente do Brasil. Escritor e político maranhense, governou o Maranhão entre 1966 e 1970, base política que sustentou sua ascensão nacional nas décadas seguintes. Foi eleito vice-presidente na chapa encabeçada por Tancredo Neves em 1985 e assumiu a Presidência da República após a morte de Tancredo, antes mesmo da posse deste. Sarney tornou-se, assim, o primeiro chefe do Poder Executivo do período de redemocratização do país, governando entre 1985 e 1990, em um momento de transição marcado pela promulgação da Constituição de 1988 e pelo combate à hiperinflação que assolava a economia brasileira.
Depois de deixar a Presidência, Sarney manteve papel de destaque na política nacional como senador, cargo que ocupou por três mandatos consecutivos, entre 1991 e 2015, período em que também presidiu o Senado Federal em diferentes ocasiões. Ao longo de décadas, consolidou-se como uma das principais lideranças políticas do Maranhão, estado onde sua família mantém influência expressiva até os dias atuais, com familiares atuando em cargos eletivos e postos de destaque na administração pública estadual.
Aos 96 anos, Sarney mantém, ainda que de forma mais espaçada, presença em eventos públicos e cerimônias oficiais relacionadas à história política do país. A nova internação, a segunda em menos de duas semanas, reacende a atenção sobre o estado de saúde do ex-presidente, embora o boletim médico mais recente não indique agravamento do quadro, e sim a continuidade de um tratamento já em curso. Familiares e assessores não se manifestaram publicamente até a divulgação deste boletim.
Análise: A sequência de duas internações em menos de duas semanas para tratar o mesmo quadro de pneumonia bacteriana chama atenção não pela gravidade anunciada — o boletim médico insiste no termo "estável" — mas pela idade avançada do paciente e pelo simbolismo histórico que ele carrega. Sarney é um dos últimos protagonistas ainda vivos da transição democrática brasileira, e episódios de saúde como este tendem a gerar cobertura ampliada justamente por essa dimensão histórica, e não apenas clínica. A escolha por transferir o tratamento de São Luís para um hospital de referência em São Paulo sugere cautela redobrada da equipe médica, ainda que sem indicação de piora, e reforça um padrão observado em outros casos de figuras públicas idosas, nos quais infecções respiratórias recorrentes exigem acompanhamento hospitalar mais próximo do que se faria com pacientes mais jovens.
Fonte: Agência Brasil





Comentários