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Economia brasileira recua 0,4% de junho para julho, aponta Monitor do PIB da FGV

Foto do escritor: Kentidjern Herman
Kentidjern Herman
há 12 minutos
3 min de leitura

ECONOMIA • 17 de setembro de 2026

Economia brasileira recua 0,4% de junho para julho, aponta Monitor do PIB da FGV

Foto: Miguel Ângelo/CNI


A economia brasileira recuou 0,4% na passagem de junho para julho, segundo estimativa do Monitor do PIB, estudo mensal elaborado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV) e divulgado nesta quinta-feira (17). Foi o segundo mês seguido de variação negativa: em junho, a retração havia sido de 1%.


Na comparação com julho de 2025, o resultado apresenta alta de 1,3%. No acumulado de 12 meses, a variação segue positiva, em 1,8%, ante 2,2% registrados no fechamento de junho.

Cenário externo é classificado como “desafiador”

O Monitor do PIB faz estimativas sobre o comportamento do Produto Interno Bruto reunindo dados da indústria, do comércio, dos serviços e da agropecuária, com ajuste sazonal que elimina efeitos de calendário e permite comparar períodos diferentes. Segundo Juliana Trece, economista responsável pela pesquisa, o resultado reflete o enfraquecimento simultâneo das três grandes atividades econômicas do país, com retração da agropecuária e estagnação da indústria e dos serviços.


A economista classificou o cenário externo como desafiador, apontando como fatores a elevação de tarifas impostas pelos Estados Unidos a parte das exportações brasileiras e a alta do preço do petróleo, motivada pela guerra no Oriente Médio. No cenário doméstico, ela citou como obstáculos os juros ainda elevados e o endividamento das famílias brasileiras.


O estudo mostra que o consumo das famílias, responsável por mais de 60% do PIB, cresceu apenas 0,4% no trimestre móvel encerrado em julho, a menor taxa desde o período terminado em outubro de 2025. Já a Formação Bruta de Capital Fixo, indicador que mede o investimento em compras de máquinas e equipamentos, teve expansão de 1,4% no trimestre móvel até julho, a quarta alta seguida. Em valores correntes, o PIB acumulado até julho é estimado pela FGV em R$ 7,853 trilhões.


O Monitor do PIB é um dos termômetros da economia brasileira usados junto a outros indicadores, como o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado na quarta-feira (16), que apontou recuo de 0,2% em julho ante junho, com expansão estimada de 1,5% em 12 meses. O resultado oficial do PIB é apresentado trimestralmente pelo IBGE, que divulgou no dia 1º deste mês uma alta de 0,5% do PIB do segundo trimestre, com avanço de 1,9% em 12 meses. O resultado do terceiro trimestre só será conhecido em 2 de dezembro. O último relatório Focus, sondagem do Banco Central com instituições do mercado financeiro divulgada na última segunda-feira (14), projeta que a economia brasileira encerrará 2026 com alta de 1,89%.


Análise: Os dois recuos mensais seguidos, mesmo com o acumulado de 12 meses ainda positivo, sugerem que a economia brasileira perdeu fôlego na virada do primeiro para o segundo semestre, em um momento em que fatores externos e internos se somam. A combinação de tarifas americanas mais altas sobre produtos brasileiros com o encarecimento do petróleo por conta do conflito no Oriente Médio cria uma pressão de custos que dificilmente será resolvida no curto prazo, já que depende de dinâmicas geopolíticas fora do controle do governo brasileiro. Internamente, o dado mais preocupante talvez seja o consumo das famílias crescendo no ritmo mais lento em quase um ano, justamente o componente que mais pesa no PIB: com juros ainda em patamar elevado e o endividamento doméstico pressionando o orçamento das famílias, a capacidade de consumo tende a seguir limitada enquanto não houver um ciclo mais consistente de queda da taxa básica. Por outro lado, a expansão seguida da Formação Bruta de Capital Fixo indica que parte do setor produtivo ainda aposta em investimentos futuros, um contraponto que pode sustentar a atividade caso o cenário externo se estabilize. A projeção do Focus de fechamento em torno de 1,89% para o ano segue compatível com os números acumulados, mas o segundo semestre deve mostrar se a desaceleração de julho foi pontual ou o início de uma tendência mais duradoura.


Fonte: Agência Brasil

 
 
 

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