Dólar fecha em R$ 5,22, maior valor desde março, e Ibovespa cai pela quarta sessão seguida
ECONOMIA • 28 de setembro de 2026
Dólar fecha em R$ 5,22, maior valor desde março, e Ibovespa cai pela quarta sessão seguida

Foto: REUTERS/Willy Kurniawan
Em um dia de turbulências no exterior, o dólar ultrapassou a barreira de R$ 5,20 e fechou em R$ 5,22 nesta segunda-feira, o maior nível em quase seis meses. A bolsa brasileira recuou pela quarta vez consecutiva, refletindo o clima de cautela nos mercados internacionais.
O dólar comercial subiu 0,83%, encerrando o pregão vendido a R$ 5,226, no maior fechamento desde 30 de março.
Cotação segue movimento externo
A moeda estadunidense avançou desde o início dos negócios e chegou a superar R$ 5,22 ainda durante a manhã. O movimento acompanhou o fortalecimento do dólar no exterior, em um dia marcado pela aversão ao risco, pela alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e pelas incertezas envolvendo as negociações entre Estados Unidos e Irã.
O índice que mede o desempenho da moeda estadunidense frente a uma cesta de seis divisas subia 0,05% no fim da tarde. No exterior, a elevação dos rendimentos dos títulos de dez anos do Tesouro dos Estados Unidos contribuiu para um ambiente menos favorável aos ativos de maior risco, com o retorno do papel encerrando o dia em 5,2319%, ante 5,181% na sexta-feira anterior. Taxas mais altas em economias avançadas estimulam a fuga de capitais de países emergentes, como o Brasil.
No cenário doméstico, as atenções também permaneceram voltadas para as eleições presidenciais, sem que os dados das pesquisas divulgadas ao longo do dia alterassem o cenário de disputa acirrada.
Contas externas e projeções do Focus
O Banco Central informou ainda que o Brasil registrou déficit de US$ 5,055 bilhões em transações correntes em agosto. O investimento direto no país, por outro lado, somou US$ 7,396 bilhões no mês.
No boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada nesta segunda-feira pelo Banco Central, a projeção mediana para o dólar no fim deste ano permaneceu em R$ 5,20. Já a estimativa para a inflação de 2026 subiu de 4,92% para 4,99%, enquanto a previsão para 2027 passou de 4,30% para 4,31%.
Ibovespa acumula quarta baixa seguida
O Ibovespa terminou o pregão em queda de 0,26%, aos 182.991,13 pontos, após oscilar entre a mínima de 181.931,36 e a máxima de 184.094,65 pontos. Com o resultado, o principal índice da bolsa brasileira acumulou o quarto pregão consecutivo de baixa. Apesar da sequência negativa, o Ibovespa mantém alta de 3,14% em setembro e de 13,57% no ano.
O ambiente externo pressionou os mercados acionários, com queda das bolsas em Nova York e alta dos juros dos títulos estadunidenses. O S&P 500, índice das 500 maiores empresas dos Estados Unidos, terminou a sessão em baixa de 0,77%. No mercado brasileiro, a alta do petróleo ajudou a sustentar as ações de empresas do setor, e o índice Small Caps, que não inclui a Petrobras em sua composição, caiu 1,2% no dia.
Petróleo fecha em alta, mas reduz ganhos
O petróleo fechou em alta nesta segunda-feira, mas reduziu os ganhos ao longo do dia. O movimento ocorreu em meio às incertezas sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã e às dificuldades para normalizar o tráfego pelo Estreito de Ormuz. O barril do tipo Brent, para dezembro, referência para negociações internacionais, subiu 0,40%, para US$ 97,83. O barril WTI, do Texas, avançou 0,21%, para US$ 92,60.
O produto chegou a registrar ganhos mais fortes durante a sessão, mas perdeu parte da valorização após informações sobre possíveis avanços nas negociações entre Washington e Teerã e sobre medidas para ampliar a oferta de petróleo. A Arábia Saudita também retomou o bombeamento do oleoduto Leste-Oeste, com fluxo estimado em cerca de 3,5 milhões de barris por dia, e os carregamentos de exportação foram retomados no porto de Yanbu, no Mar Vermelho. Apesar dos sinais de aumento da oferta, as restrições à navegação em Ormuz e as tensões no Oriente Médio mantiveram o mercado de petróleo sob pressão e contribuíram para a volatilidade dos preços ao longo do pregão.
Análise: O movimento desta segunda-feira reforça como a economia brasileira segue exposta a fatores externos que fogem ao controle das autoridades nacionais, da tensão geopolítica entre Estados Unidos e Irã à trajetória dos juros americanos. A alta simultânea do dólar e a queda do Ibovespa, somadas ao aumento das projeções de inflação no boletim Focus, sinalizam um ambiente de maior cautela dos investidores às vésperas do primeiro turno das eleições presidenciais, mesmo sem mudanças relevantes no quadro eleitoral. Chama atenção o fato de o Ibovespa acumular quarto pregão seguido de queda e, ainda assim, manter ganhos expressivos no ano, o que indica correção pontual e não necessariamente uma reversão de tendência. Já o petróleo em alta, impulsionado pelas incertezas no Oriente Médio, é um fator que tende a pressionar preços de combustíveis no Brasil caso o movimento se prolongue, com efeitos potenciais sobre a inflação nos próximos meses.
Fonte: Agência Brasil





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