CPI que Investiga Felipe Camaão Define Mesa Diretora na ALEMA; Ana do Gás Assume a Presidência
- Kentidjern Herman
- 12 de mai.
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ALEMA • 12 de maio de 2026
CPI que Investiga Felipe Camaão Define Mesa Diretora na ALEMA; Ana do Gás Assume a Presidência

Foto: Divulgação / Blog do Gláucio Ericeira
A Assembleia Legislativa do Maranhão (ALEMA) definiu nesta quarta-feira (6) a composição da mesa diretora da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para investigar supostas irregularidades envolvendo o vice-governador Felipe Camaão (PT). Em reunião realizada na tarde na Sala das Comissões da Casa, a deputada Ana do Gás (Republicanos) foi eleita presidente do colegiado por seis votos, enquanto o deputado Adelmo Soares (MDB) foi escolhido para a vice-presidência. O deputado Yglésio Moyses (PRD) foi indicado para a relatoria, com a votação formal do cargo marcada para esta quarta-feira (13), às 14h.
O processo de eleição desta CPI foi conduzido de forma legal, conforme o Regimento desta Casa. Nosso objetivo é trazer para a população, com responsabilidade e tranquilidade, ouvindo todas as partes, um trabalho feito de maneira imparcial e técnica. — Deputada Ana do Gás, presidente da CPI
Investigação baseia-se em relatórios do COAF que apontam movimentações atípicas
A CPI foi criada para apurar denúncias de movimentações financeiras atípicas e millionárias envolvendo a estrutura administrativa da Vice-Governadoria e da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), órgão anteriormente comandado pelo próprio Felipe Camaão. A base técnica das investigações são relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), vinculado ao Banco Central, que apontam mais de R$ 4,6 milhões em créditos além dos rendimentos salariais do vice-governador. Os documentos também indicam centenas de depósitos em espécie sem identificação de origem e operações fracionadas — prática que pode indicar tentativa de dificultar o rastreamento dos recursos.
Além das movimentações do próprio vice-governador, a investigação aponta a existência de uma rede de operadores financeiros envolvendo terceiros, incluindo policiais militares ligados ao gabinete institucional que teriam realizado repasses e fragmentado quantias em benefício de Camaão. A comissão poderá ampliar o escopo da investigação ao longo dos 120 dias de prazo inicial, caso novos elementos surjam durante os trabalhos.
A reunião do dia 6 foi precedida de tensão política. Na terça-feira (5), a primeira convocação da CPI precisou ser adiada por conflito regimental — membros da comissão também integravam a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que funcionava no mesmo horário no Plenárinho — e falta de quórum. Na sessão seguinte, o deputado Rodrigo Lago (PSB), aliado de Camaão, recusou-se a votar e anunciou que recorrerá ao Tribunal de Justiça do Maranhão para tentar anular o processo, alegando descumprimento regimental no registro de candidaturas. O argumento foi rejeitado pelos demais integrantes. O vice-presidente eleito, Adelmo Soares, fez questão de reafirmar o caráter democrático dos trabalhos. “Nós iremos conduzir essa comissão sem perseguição ou acusação antes de termos em mãos provas para que possa tudo ser esclarecido, em especial, à população do estado do Maranhão”, afirmou.
Felipe Camaão já havia tentado suspender judicialmente os trabalhos da CPI por meio de mandato de segurança, mas o pedido foi indeferido pelo Tribunal de Justiça do Maranhão. Em paralelo à investigação parlamentar, o caso também tramita no Ministério Público do Estado (MP-MA), investigado pelo GAECO, o que pode contribuir com o compartilhamento de informações ao longo dos trabalhos da comissão. A defesa do vice-governador não apresentou novos posicionamentos após a definição da mesa diretora.
A instalação definitiva da CPI do Camaão representa um marco político significativo no cenário maranhense, colocando sob escrutínio parlamentar a vice-governadoria em pleno ano eleitoral. A combinação de uma investigação com 120 dias de prazo e um processo paralelo no Ministério Público deve manter o tema como protagonista do debate político estadual até pelo menos outubro. O que o relator Yglésio Moyses apresentará no relatório final pode ter impactos diretos sobre as articulações eleitorais e as candidaturas que se desenham para o governo do Maranhão.
Fonte: Jornal Pequeno / Blog do Gláucio Ericeira / Blog do Pedro Felipe





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