Boletim Focus eleva projeção de inflação e reduz PIB e Selic para 2026
ECONOMIA • 23 de setembro de 2026
Boletim Focus eleva projeção de inflação e reduz PIB e Selic para 2026

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
O mercado financeiro elevou de 4,90% para 4,92% a projeção para o IPCA de 2026, ao mesmo tempo em que reduziu de 1,89% para 1,88% a expectativa para o crescimento do PIB e de 13,75% para 13,50% a previsão para a Selic. A estimativa para o dólar permaneceu em R$ 5,20. Os números fazem parte do Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (21), levantamento semanal que reúne as projeções de instituições do mercado para os principais indicadores da economia brasileira.
Nesta edição, as quatro principais estimativas para 2026 tiveram comportamentos distintos: a inflação subiu, PIB e Selic recuaram, e o câmbio ficou estável.
Inflação sobe no curto prazo, mas segue abaixo do patamar de um mês atrás
A projeção para o IPCA, índice oficial de inflação, passou de 4,90% para 4,92% em 2026. Há quatro semanas, a mediana estava em 5,02%, o que mostra que, apesar da alta registrada agora, a expectativa segue abaixo do patamar observado um mês antes. Para setembro de 2026, a projeção mensal do IPCA passou de 0,50% para 0,52%; para outubro, a estimativa permaneceu em 0,33%; e para novembro, subiu de 0,32% para 0,34%. A inflação acumulada em 12 meses, no cálculo suavizado, passou de 4,65% para 4,62%.
Para o PIB, a previsão de crescimento em 2026 caiu de 1,89% para 1,88%. Há quatro semanas, o mercado projetava expansão de 1,95%. Já a expectativa para a Selic no fim do ano passou de 13,75% para 13,50% ao ano, movimento que ocorre cinco dias depois de o Copom promover um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica. No câmbio, não houve mudança: a projeção para o dólar continua em R$ 5,20 em 2026.
Para 2027, a projeção para o IPCA permaneceu em 4,30%, enquanto a previsão para o crescimento do PIB foi reduzida de 1,45% para 1,43%. Para o câmbio, a mediana permaneceu em R$ 5,28, e a projeção para a Selic também não mudou, seguindo em 12% ao ano. Para 2028, o mercado manteve IPCA em 3,80%, PIB em 1,87%, dólar em R$ 5,30 e Selic em 10,50% ao ano; para 2029, as projeções continuam em 3,50% para o IPCA, 2% para o PIB, R$ 5,36 para o dólar e 10% para a Selic.
Entre os demais indicadores acompanhados no Focus, a projeção para o IGP-M de 2026 subiu de 4,54% para 4,73%, ante estimativa de 4,55% há quatro semanas. O relatório também reúne projeções para as contas externas e públicas: a previsão para o déficit em conta corrente de 2026 permanece em US$ 60 bilhões, e a projeção para a balança comercial subiu de US$ 76,95 bilhões para US$ 77 bilhões. Para o investimento direto no país, a expectativa permanece em US$ 80 bilhões em 2026.
Análise: O boletim desta semana traz um retrato de ajuste fino, não de mudança de rumo: a inflação de 2026 sobe pontualmente, mas segue abaixo do que se projetava um mês atrás, enquanto Selic e PIB recuam de forma marginal. O corte na projeção da Selic, coerente com a decisão recente do Copom, sinaliza que o mercado ainda vê espaço para o ciclo de flexibilização monetária continuar, mesmo com a inflação projetada persistentemente acima do centro da meta de 3% do Banco Central. Já a estabilidade do dólar em R$ 5,20 contrasta com a alta do IGP-M, índice mais sensível a preços no atacado e a commodities, o que pode indicar pressões de custos ainda não totalmente repassadas ao consumidor final.
Fonte: Exame





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