Boletim Focus de 27/04: Mercado Eleva Inflação a 4,86% pela Sétima Semana Seguida e Mantém Selic em 13%
- Kentidjern Herman
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ECONOMIA • 27 de abril de 2026
Boletim Focus de 27/04: Mercado Eleva Inflação a 4,86% pela Sétima Semana Seguida e Mantém Selic em 13%

Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil / Arquivo
O Banco Central divulgou nesta segunda-feira (27) o mais recente Boletim Focus, pesquisa semanal que consolida as expectativas de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos do país. O resultado mostra deterioração contínua nas projeções: a previsão para o IPCA — referência oficial da inflação — subiu pela sétima semana consecutiva, chegando a 4,86% para o ano de 2026. Na semana anterior, a estimativa era de 4,80%. Há apenas quatro semanas, o mercado projetava 4,31%.
A escalada da inflação esperada está diretamente ligada às incertezas geopoíticas provocadas pelo conflito no Oriente Médio, que pressiona os preços internacionais do petróleo e eleva o custo de energia e transporte em toda a cadeia produtiva. O barril chegou a superar os US$ 100, pressionando tanto o IPCA quanto o IGP-M, que avançou para 4,80% na oitava semana consecutiva de alta.
O mercado financeiro brasileiro revisou para cima as projeções de inflação por sete semanas consecutivas, refletindo o impacto do conflito no Oriente Médio sobre preços de energia, câmbio e cadeia produtiva global.
Selic permanece em 13% ao fim do ano
A pressão inflacionária mantém os juros no radar do mercado. Os analistas seguem projetando que a Selic encerrará 2026 em 13% ao ano — mesma estimativa da semana passada, mas 0,5 ponto percentual acima do que se esperava há um mês, quando a projeção era de 12,5%. Atualmente, a taxa básica está fixada em 14,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC.
Para 2027 e 2028, o mercado projeta uma trajetória de queda gradual da Selic, com estimativas de 11% e 10% ao ano, respectivamente. A taxa está nos níveis mais elevados desde 2006, resultado de um ciclo de aperto monetário iniciado em setembro de 2024 e que durou até junho de 2025, quando foram realizadas sete altas consecutivas.
PIB cresce menos e dólar recua
No campo do crescimento econômico, o Focus desta semana registrou uma leve revisão para baixo. A expectativa para o Produto Interno Bruto de 2026 recuou de 1,86% para 1,85%. Apesar da margem pequena, o movimento confirma que o mercado não está ampliando suas apostas de crescimento em meio ao ambiente internacional desfavorável. Para 2027, a projeção permanece em 1,80%, e para 2028 a estimativa de expansão é de 2%.
Uma nota positiva neste Focus foi o câmbio. O dólar deve encerrar 2026 cotado a R$ 5,25, ante R$ 5,30 projetados na semana passada e R$ 5,40 estimados há um mês. A queda na projeção do câmbio reflete o fluxo de capitais para países exportadores de commodities energéticas — como o Brasil — em momentos de alta do petróleo, além do contexto de juros internos elevados que atrai investidores estrangeiros em busca de rentabilidade.
A sequência de sete altas consecutivas nas projeções de inflação é um sinal de alerta que não pode ser ignorado. O Copom se reúne nos dias 28 e 29 de abril para definir os rumos da Selic, e o mercado observará com atenção qualquer sinalização sobre ritmo de queda dos juros. O Brasil vive um equilíbrio delicado: juros altos freiam o crescimento e encarecem o crédito, mas são necessários para ancorar expectativas inflacionárias num cenário de petróleo caro e câmbio volátil. O desempenho positivo do agronegócio e da Embraer garante alguma resiliência à economia, mas não é suficiente para compensar o ambiente externo adverso no longo prazo.
Fonte: Agência Brasil / Banco Central do Brasil





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