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Banco Mundial Corta Previsão de Crescimento do Brasil para 1,6% e Aponta Juros Altos e Petróleo como Freios

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    Kentidjern Herman
  • há 3 horas
  • 3 min de leitura

ECONOMIA • 11 de abril de 2026

Banco Mundial Corta Previsão de Crescimento do Brasil para 1,6% e Aponta Juros Altos e Petróleo como Freios

Foto: REUTERS / Johannes P. Christo / Agência Brasil

O Banco Mundial revisou para baixo sua projeção de crescimento para a economia brasileira em 2026, passando de 2% para 1,6%. O rebaixamento consta no relatório Panorama Econômico da América Latina e o Caribe, divulgado nesta quarta-feira (8) em Washington. A instituição aponta uma combinação de fatores externos e internos como responsáveis pela desaceleração, com destaque para o choque no preço do petróleo e as taxas de juros elevadas que afetam diretamente as famílias brasileiras endividadas.

Tem muita preocupação por parte do consumidor com as taxas de juros altíssimas que afetam consumidores endividados — William Maloney, economista-chefe do Banco Mundial para a América Latina.

Petróleo e juros: os dois freios da economia brasileira

O economista-chefe do Banco Mundial para a América Latina e Caribe, William Maloney, explicou que os impactos chegam por duas vias. Externamente, o conflito dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã desorganizou a cadeia produtiva do petróleo, elevando o preço do barril no mercado internacional. A região do Golfo Pérsico concentra países produtores estratégicos e o Estreito de Ormuz, ao sul do Irã, é rota fundamental para o escoamento do produto. Internamente, os juros elevados encarecem o crédito, constrangem o consumo das famílias e pressionam as contas públicas. O Banco Central brasileiro mantém a Selic em 15% ao ano, o maior nível desde julho de 2006.

Divergência entre instituições e postura do governo

A projeção do Banco Mundial está alinhada à do Banco Central brasileiro, que também estima crescimento de 1,6%. No entanto, fica abaixo do boletim Focus, que registra expectativa de 1,85% do mercado financeiro, e muito abaixo da projeção do Ministério da Fazenda, que aposta em avanço de 2,3%. A divergência entre as instituições reflete a incerteza quanto aos efeitos do cenário externo e ao ritmo de redução dos juros. O governo estuda medidas para aliviar o endividamento das famílias, incluindo a possibilidade de uso do FGTS para quitação de dívidas, conforme sinalizou o ministro da Fazenda, Dario Durigan.

Brasil no ranking regional e elogios à Embraer e Embrapa

Entre os 29 países da América Latina e Caribe avaliados, o Brasil ocupa a 22ª posição em crescimento projetado. O primeiro lugar é da Guiana, com expansão esperada de 16,3% em 2026, impulsionada pela exploração de petróleo na Margem Equatorial. Apesar da posição modesta no ranking, o Brasil recebeu elogios da instituição por sua indústria aeronáutica, representada pela Embraer, e pela agropecuaria de alta produtividade tecnológica. O relatório destaca ainda a Embrapa como modelo de incorporação de aprendizado científico e desenvolvimento de capital humano na estratégia de inovação agrícola. Para a América Latina como um todo, a projeção de crescimento regional também foi revisada para baixo, de 2,3% para 2,1%.

O rebaixamento do Banco Mundial não é surpreendente, mas consolida um cenário de estagnação relativa para a economia brasileira em 2026. A combinação de juros historicamente elevados com um ambiente externo adverso — choque do petróleo e cautela nos cortes de juros globais — comprime tanto o consumo quanto o investimento. O governo enfrenta o desafio de estimular a atividade econômica sem ampliar o déficit fiscal, em um ano eleitoral que aumenta a pressão por resultados concretos. Se o Banco Central iniciar um ciclo de cortes da Selic no segundo semestre, como espera parte do mercado, o crescimento pode surpreender para cima. Mas o cenário-base permanece de cautela.

Fonte: Agência Brasil

 
 
 

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