Balança comercial tem superávit de US$ 7,4 bilhões em agosto
- Kentidjern Herman
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ECONOMIA • 7 de setembro de 2026
Balança comercial tem superávit de US$ 7,4 bilhões em agosto

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 7,4 bilhões em agosto, resultado 23,8% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado. O desempenho foi puxado pelo avanço das exportações, impulsionadas principalmente pelas vendas de petróleo, soja, cobre e café ao exterior.
Os números foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e mostram que agosto de 2026 teve o terceiro maior superávit já registrado para o mês, atrás apenas de agosto de 2023, quando o resultado chegou a US$ 9,6 bilhões, e de agosto de 2021, com US$ 7,7 bilhões.
A corrente de comércio, soma das vendas e compras externas, atingiu US$ 58,9 bilhões, o maior valor já registrado para o mês de agosto na série histórica do indicador.
Indústria extrativa lidera crescimento das exportações
As exportações somaram US$ 33,2 bilhões em agosto, alta de 12,2% sobre igual período de 2025, enquanto as importações totalizaram US$ 25,8 bilhões, avanço de 9,2%. Entre os setores exportadores, a indústria extrativa teve o maior crescimento percentual, com vendas de US$ 8,3 bilhões, alta de 16,4% frente a agosto de 2025. Em seguida aparece a indústria de transformação, com US$ 17,2 bilhões (+10,2%), e o agronegócio, com US$ 7,4 bilhões (+11,4%).
Entre os produtos que mais se destacaram, estão os minérios de cobre e concentrados, com salto de 223,1% nas vendas externas, e os minérios de níquel e concentrados, com alta de 120,7%. O petróleo bruto cresceu 18% e o minério de ferro, 20%, na comparação com agosto do ano anterior. Já na indústria de transformação, os combustíveis lideraram a alta, com avanço de 61,6%, seguidos por carnes de aves (+40,5%) e farelos de soja e outros alimentos para animais (+36,6%).
Apesar do resultado positivo geral, alguns produtos tiveram queda nas vendas externas. As exportações de minério de ferro recuaram 10,8% em relação a agosto de 2025, refletindo tanto a redução de 4,4% no preço médio quanto a diminuição de 6,7% no volume exportado. Já a carne bovina teve retração de 19,7% no período, resultado da aproximação do limite de importação estabelecido pela China, principal comprador do produto brasileiro, que fixou uma cota de 1,106 milhão de toneladas para 2026.
Do lado das compras externas, o Brasil também registrou crescimento em agosto, impulsionado principalmente pelos bens de consumo, que subiram 15%, e pelos bens de capital, com alta de 29,3%. Os bens intermediários somaram US$ 15 bilhões, com avanço de 3,1%, enquanto as importações de combustíveis cresceram 7,4%, totalizando US$ 3 bilhões.
No acumulado entre janeiro e agosto, a balança comercial já soma superávit de US$ 55,3 bilhões, resultado 28,2% maior do que o registrado no mesmo período de 2025. O valor é o segundo maior já registrado para os primeiros oito meses do ano desde o início da série histórica, iniciada em 1989, ficando atrás apenas do resultado obtido em 2023.
Diante do desempenho observado até agosto, o Mdic revisou para cima, em julho, sua projeção de superávit comercial para 2026, elevando a estimativa de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões. As projeções de exportações e importações também foram ajustadas para cima, e uma nova atualização das estimativas deve ser divulgada em outubro.
Análise: O resultado de agosto reforça a resiliência do setor exportador brasileiro mesmo em um cenário de tensões comerciais internacionais, como as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. O crescimento simultâneo das vendas para praticamente todos os principais parceiros comerciais do país, incluindo os próprios EUA, sugere que a diversificação de mercados e a força de commodities como petróleo e minérios têm ajudado a sustentar o desempenho externo do Brasil. Ainda assim, a queda nas exportações de carne bovina para a China e a redução no volume de minério de ferro vendido acendem um sinal de atenção sobre a dependência do país em relação a poucos parceiros e produtos-chave, o que pode se tornar mais sensível caso novas restrições comerciais surjam nos próximos meses.
Fonte: Agência Brasil





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