Alcolumbre quer 'melhorar' a PEC do Fim da Jornada 6x1 antes de votar no Senado
- Kentidjern Herman
- há 4 dias
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POLÍTICA BRASIL • 11 de junho de 2026
Alcolumbre quer 'melhorar' a PEC do Fim da Jornada 6x1 antes de votar no Senado

Foto: Lula Marques / Agência Brasil
O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), rompeu o silêncio sobre a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição que extingue a escala de trabalho 6x1 e defendeu que o texto seja aperfeiçoado pela Casa antes de qualquer votação. Em declaração feita ao plenário após questionamento do senador Styvenson Valentim (Podemos-RN), Alcolumbre afirmou que a PEC obrigatoriamente passará pelas comissões do Senado — postura que contraria a pressa dos líderes governistas, que queriam aprovar a matéria ainda em junho sem alterações.
"Seria muito razoável se o Senado pudesse melhorar um texto com essa importância, se os senadores pudessem debater um assunto dessa envergadura com calma", afirmou Alcolumbre.
PEC tramita pelas comissões: o que isso significa para o calendário de votação
A PEC que acaba com a jornada de trabalho 6x1 chegou ao Senado após aprovação na Câmara dos Deputados, onde tramitou por aproximadamente cinco meses. O texto propõe a redução da jornada semanal de 44 horas para 40 horas, além de eliminar a obrigatoriedade de trabalhar seis dias consecutivos antes de um dia de folga. A proposta mobilizou trabalhadores e gerou forte debate nos setores empresariais, que alertam para riscos aos custos da produção e ao emprego.
Ao declarar que a matéria passará pelas comissões, Alcolumbre elevou a complexidade do processo legislativo e, na prática, afastou a possibilidade de votação rápida. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), presidida pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), seria a primeira etapa obrigatória. O relator da PEC no Senado ainda não foi escolhido, o que indica que a votação final pode se estender por meses.
O presidente do Senado também citou o calendário eleitoral como fator complicador. "Muitas vezes, o que é razoável não pode vir à tona por causa da eleição", disse Alcolumbre, sinalizando que a conjuntura política de ano eleitoral pode influenciar os rumos da votação. Em 2026, as eleições municipais, estaduais e federais colocam deputados e senadores em alerta para propostas com forte apelo popular — e poucas matérias têm maior visibilidade junto ao eleitorado do que a redução da jornada de trabalho.
Do lado governista, lideranças aliadas de Lula no Senado pressionaram por uma aprovação rápida do texto exatamente como foi aprovado na Câmara. O raciocínio é que qualquer alteração obriga o retorno da PEC à Câmara dos Deputados, adiando ainda mais a promulgação. Para esses senadores, a urgência reside na demanda dos trabalhadores por melhores condições de trabalho, o que também tem peso eleitoral.
A oposição, por sua vez, moveu-se em sentido contrário. O líder da oposição, senador Rogério Marinho (PL-RN), apresentou uma PEC alternativa que preserva a jornada atual de 44 horas semanais, mas abre espaço para contratos com remuneração por hora trabalhada. A iniciativa busca oferecer flexibilidade ao mercado de trabalho sem impor redução obrigatória de carga horária, modelo que agrada ao setor empresarial.
Com o cenário dividido entre urgência governista, cautela de Alcolumbre e resistência da oposição, o caminho da PEC no Senado promete acalorados debates nas próximas semanas. A definição do relator e a pauta da CCJ serão os próximos passos decisivos para determinar se a redução da jornada de trabalho — uma das pautas mais aguardadas pelos trabalhadores brasileiros — se tornará lei ainda em 2026.
Análise: A posição de Alcolumbre expõe uma tensão estrutural no processo legislativo brasileiro. Ao exigir que a PEC passe pelas comissões, o presidente do Senado reafirma o papel da Casa como instância revisora — não apenas ratificadora — das decisões da Câmara. O risco político, porém, é real: em um ano eleitoral, protelar uma proposta com alto apelo popular pode custar caro nas urnas. A disputa entre celeridade e aperfeiçoamento do texto define, na prática, qual modelo de democracia legislativa o Senado quer apresentar à sociedade.
Fonte: Agência Brasil





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